O presidente da ESCOM, a empresa do Grupo Espírito Santo que se dedica a negócios imobiliários e à extração de diamantes em Angola, foi o 30º interveniente a ser ouvido pelos deputados na comissão de inquérito ao BES/GES.

Confirmou os «bónus» recebidos pelos administradores da ESCOM no negócio dos submarinos, bem como pelo consultor que intermediou a operação e pelos membros da família Espírito Santo. Ele, que também foi administrador e sócio do BESA, fez ainda outras revelações.

O resumo da audição em 9 pontos:

1 - Confirmou que os 27 milhões de euros distribuídos na sequência do negócio dos submarinos com o fornecedor alemão foram «um bónus», dividido por três administradores da ESCOM (ele próprio, Luís Horta e Costa e Ferreira Neto), o consultor da operação Miguel Horta e Costa e os cinco membros da família Espírito Santo com assento no BES. ESCOM recebeu apenas pelos «serviços prestados»

2 - Foi Ricardo Salgado quem «decidiu» a distribuição. A utilização do RERT, para regularizar esses valores fiscalmente, foi mesmo para «pagar menos impostos», assumiu

3 - Chegará à comissão de inquérito uma «lista exaustiva» sobre quem recebeu o quê e quanto no negócio dos submarinos

4 - ESCOM não era uma empresa capitalizada. Financiamento vinha fundamentalmente do BES. Foram «300 e muitos milhões de dólares» sob a forma de empréstimos e obrigações  

5 - Embora fosse, e  continue a ser , o presidente da ESCOM, nunca participou em reuniões sobre a venda da empresa à Sonangol. Foi «sempre» Ricardo Salgado quem conduziu as negociações. Bataglia preparou apenas o contrato que, garante, era de «compra e venda» e não de promessa de compra e venda

6 - Foi, no entanto, ele que apresentou o negócio a Ricardo Salgado. Havia um «interesse estratégico» dos angolanos na operação que acabou por não se concretizar. Confirmou que foi pago um sinal de 82 milhões de euros

7 - Revelou que o acordado é que ele ficaria 20%, cerca de 30 milhões, do sinal dado pelo negócio. Mas o dinheiro foi para a ES Resources, a holding do Grupo Espírito Santo responsável pelos investimentos não financeiros do grupo. Citou Álvaro Sobrinho para chegar a essa conclusão, não por conhecimento próprio sobre onde foi parar o dinheiro do sinal, que nunca chegou a ser devolvido, como era suposto, já que o negócio não se concretizou
 
8 - Contas da ESCOM estão congeladas desde a resolução decretada pelo Banco de Portugal para o BES, em agosto de 2014

9 - Ex-presidente do BESA, Álvaro Sobrinho, fez um «trabalho extraordinário» no banco e Ricardo Salgado considerava-o «um grande banqueiro» até 2012, altura em que o afastou por, como disse o próprio na sua audição, ter encontrado uma «situação pavorosa»

Leia mais aqui:

«Eu devia ter recebido 30 milhões e não recebi»

ESCOM: 27 milhões foram «bónus», «lista exaustiva» chegará ao Parlamento

BES financiou ESCOM em «300 e muitos milhões de dólares»

«Sobrinho fez um trabalho extraordinário no BES Angola»