A Grécia vai continuar em recessão em 2014, pelo sétimo ano consecutivo, e necessitará provavelmente de uma nova ajuda financeira, anunciou esta quarta-feira a OCDE, contradizendo Atenas que prevê um regresso ao crescimento no próximo ano.

Segundo um estudo sobre as perspetivas económicas na Grécia, a Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Económico (OCDE) prevê que a economia do país recue 0,4% em 2014.

«Se os riscos macroeconómicos negativos se confirmarem (...) será necessário refletir seriamente sobre uma nova ajuda para garantir a sustentabilidade da dívida», alerta a OCDE.

O governo grego apresentou na semana passada no Parlamento um projeto de Orçamento que prevê um crescimento de 0,6% em 2014, depois de uma contração de 4% em 2013.

Mas este Orçamento foi elaborado sem a conclusão de um acordo entre o governo e a troika dos credores internacionais (União europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional) sobre as contas e reformas necessárias em troca do plano de ajuda financeira à Grécia.

Num relatório distinto, a OCDE estima que a economia grega poderia acumular «pelo menos 5,2 mil milhões de euros num ano» se os entraves à concorrência fossem levantados em determinados setores de produtos e serviços.

Os entraves à livre concorrência na Grécia ocorrem sobretudo nos setores do «turismo, materiais de construção e produtos alimentares», refere este estudo.

«Há 329 recomendações» da OCDE relativas à concorrência, declarou o ministro do Desenvolvimento grego, Costis Hadzidakis, quando apresentava este relatório com o presidente da OCDE, Angel Guria, durante uma conferência de imprensa conjunta.

O ministro sublinhou que 80% destas recomendações vão ser adotadas pela legislação grega, «o que terá um impacto positivo na economia».

O relatório foi realizado pela OCDE a pedido do governo grego e custou 900 mil euros, mas «o benefício para o consumidor» será muito elevado, afirmou Hadzidakis.