A Polícia de Segurança Pública (PSP) foi chamada esta quarta-feira pela lista D ao local onde decorreu a votação presencial para as eleições da Associação Mutualista Montepio Geral (AMMG) por suspeita de fraude, revelou à Lusa um membro dessa lista.

"As listas hoje receberam na Rua Castilho 6.500 votos por correspondência, dos quais 300 foram postos de parte devido aos envelopes apresentarem uma tipificação diferente dos que foram enviados aos associados com os boletins de voto, semelhante aos 'kits' de substituição existentes nos balcões", relatou Nadir Cassamo, representante da lista D na comissão eleitoral do grupo mutualista.

Segundo o responsável, muitos desses envelopes estavam escritos com uma letra idêntica, levantando suspeitas de que pode estar em causa "uma fraude de falsificação de documentos".

Face ao sucedido, as listas reuniram-se às 17:00 e, de acordo com Nadir Cassamo, a lista A decidiu convocar uma reunião da comissão eleitoral para decidir o que fazer a esses votos, sendo que essa lista, que representa a continuidade na governação do Montepio e é liderada por António Tomás Correia, detém a maioria nesse órgão.

Isto não agradou aos representantes das listas opositoras, com a lista D, liderada por António Godinho, a decidir chamar as autoridades ao local onde decorrem as eleições.

"Nós, lista D, pedimos a presença da PSP para fazer uma participação, que já foi feita. O mandatário da lista E [que é liderada por Luís Alberto Silva, presidente da União das Mutualidades Portuguesas] corroborou os factos e também ficou identificado pela PSP como testemunha", disse à Lusa Nadir Cassamo.

Entretanto, os 300 votos por correspondência cujos envelopes são diferentes dos enviados por carta para todos os associados do Montepio "estão fechados numa sala à espera da decisão que vai ser tomada pela comissão eleitoral", disse a mesma fonte.

O responsável avançou ainda que a PSP estava agora a desenvolver esforços para falar com o presidente da comissão eleitoral.

"Os agentes da PSP querem falar com o senhor padre Vítor Melícias, algo que ainda não foi possível", afirmou à Lusa por volta das 19:00.

A AMMG vai hoje a eleições para o triénio 2016/2018, numa corrida disputada por quatro listas que concorrem a todos os órgãos sociais e uma que se candidata apenas ao Conselho Geral.

As quatro listas que concorrem a todos os órgãos sociais são lideradas pelo atual presidente do grupo, Tomás Correia, pelo economista Eugénio Rosa, pelo gestor António Godinho e pelo presidente da União das Mutualidades Portuguesas, Luís Alberto Silva. Já a lista liderada por Manuel Ferreira candidata-se apenas ao Conselho Geral.

Durante a campanha, as listas que se opõem a Tomás Correia criticaram a gestão feita por este nos últimos anos, que acusam de vários erros, e consideraram ser urgente uma renovação no grupo.

Já Tomás Correia defendeu que a sua gestão foi a que melhor defendeu as poupanças dos mais de 600 mil associados e disse que quer fazer do Montepio o "motor da economia social" em Portugal.

Os associados do Montepio que puderem votar em Lisboa têm uma urna física, enquanto os outros terão de votar por correspondência, tendo as cartas com os votos que chegar até hoje.

Os resultados das eleições deverão ser conhecidos hoje à noite ou na madrugada de quarta-feira para quinta-feira.

A Associação Mutualista é o topo do Grupo Montepio, fazendo parte deste grupo a Caixa Económica Montepio Geral, o chamado banco mutualista.