A Associação Empresarial de Portugal (AEP) considerou este sábado que a alteração do contrato da TAP promovida pelo executivo de António Costa é uma decisão "corajosa mas arriscada", e pede ao Governo que valorize Aeroporto Francisco Sá Carneiro.

"Trata-se de uma decisão corajosa mas arriscada, se tivermos em conta a experiência portuguesa em matéria de parcerias público-privadas, que nem sempre se traduziram em melhoria de serviço aos clientes nem em benefício para os cofres do Estado e para os contribuintes", lê-se no comunicado da entidade.

A AEP disse que agora "o Governo tem todas as condições para, de imediato, fazer justiça às regiões Norte e Centro", pedindo ao executivo que "impeça que se concretize o anunciado desinvestimento da TAP no aeroporto Francisco Sá Carneiro".

A entidade liderada por Paulo Nunes de Almeida realçou que "a posição conhecida dos gestores executivos da TAP quanto à interrupção dos voos diretos de e para Milão, Roma, Bruxelas e Barcelona a partir do aeroporto Francisco Sá Carneiro e à criação de uma linha Lisboa-Vigo concitou a discordância geral das forças políticas, do movimento associativo empresarial e da sociedade civil nortenhos".

Por isso, a AEP vincou que o Governo tem "uma oportunidade soberana para demonstrar ao país inteiro que da reversão que hoje formalizou resulta mais do que uma mera participação social na transportadora aérea".

"Tendo em conta a situação resultante da reversão da privatização, a AEP vem instar o Governo a adotar na TAP uma estratégia de permanente defesa dos interesses nacionais, de valorização do aeroporto Francisco Sá Carneiro como ativo fundamental para o desenvolvimento regional e de parceria em relação às empresas exportadoras e aos agentes turísticos das regiões Norte e Centro", concluiu.

O Governo de António Costa vai pagar 1,9 milhões de euros para o Estado ficar com 50% da TAP (em vez de 34%), resultado das negociações com o consórcio Gateway, que tinha 61% do capital da companhia e que agora fica com 45%, podendo chegar aos 50%, com a aquisição do capital à disposição dos trabalhadores.

O acordo final entre a Atlantic Gateway e o Estado deverá ser fechado até 30 de abril, ficando a venda condicionada a autorizações da Autoridade da Concorrência e da Autoridade Nacional da Aviação Civil (ANAC) - que ainda não tinha dado o seu parecer final à anterior versão da privatização, e à reestruturação financeira da dívida da TAP.