A disponibilização de informação “permanente e atualizada” às empresas portuguesas sobre o desenrolar do Brexit é o objetivo da Plataforma do Tratado de Windsor, iniciativa a apresentar na quinta-feira, no Porto, que assegura também “acompanhamento personalizado” a cada negócio.

A sessão de apresentação da nova plataforma, à qual as empresas interessadas podem já aderir, decorre nas instalações da Associação Empresarial de Portugal (AEP) em Matosinhos, no Porto, numa parceria com as consultoras Eupportunity (sediada na Bélgica) e True Bridge Consulting (sediada no Reino Unido), responsáveis pelo projeto.

A sessão aborda as razões e expectativas do Brexit [saída do Reino Unido da União Europeia’] visto de Londres e de Bruxelas e em que medida a AEP poderá apoiar os seus associados e clientes nesta matéria”, refere a associação.

Em declarações à agência Lusa, o presidente da AEP destacou que “a questão do Brexit é muito importante para Portugal, visto que o Reino Unido é um forte parceiro, quer enquanto destino das exportações portuguesas, quer também ao nível dos serviços, já que é a origem de muitos milhares de turistas que visitam o país”.

Contudo, considerou Paulo Nunes de Almeida, “neste momento há muito desconhecimento e grandes dúvidas sobre o processo” - o que “é normal, porque é a primeira vez que algo desta natureza acontece” - mas torna “muito útil toda a informação que se possa fazer chegar às empresas”.

É que, salientou, as empresas “vão ter que tomar posição não apenas ao nível das trocas comerciais mas, nos muitos casos em que existe mesmo investimento no Reino Unido, é necessária informação relativamente, por exemplo, à questão dos recursos humanos e dos fluxos migratórios”.

Há todo um conjunto de questões problemáticas que estão em cima da mesa e relativamente às quais acho que quanto mais cedo as empresas tiverem informação, mais bem posicionadas estarão para poderem tomar as suas decisões”, sustentou o dirigente associativo.

Destacando tratar-se de “um processo inovador, que nunca aconteceu e que é, portanto, difícil antecipar”, Nunes de Almeida defende que “toda a informação que possa ser disponibilizada às empresas pode ser útil para definir as suas estratégias”, assumindo aqui a Plataforma do Tratado de Windsor um papel fundamental.

As empresas que aderirem à plataforma podem, durante este período de negociação do ‘Brexit’, obter aí informação permanente e atualizada sobre o processo, quer na perspetiva de Londres, quer de Bruxelas. Podem também ter um acompanhamento personalizado relativamente às necessidades do seu próprio negócio”, disse.

Além do interesse para as empresas suas associadas, a AEP encara a plataforma como “a melhor forma de fazer chegar informação sobre a evolução do Brexit à própria associação, no âmbito das tomadas públicas de posição que tem de assumir”.

O programa da sessão de quinta-feira prevê uma apresentação sobre “as razões do Brexit, a cargo do ‘global managing partner’ da True Bridge Consultancy Group, Bernardo Ivo Cruz, que com o ‘senior consultant’ da Eupportunity, Bernardo Aguiar, abordará ainda as “Expectativas do ‘Brexit’ visto de Bruxelas e Londres”.

A apresentação da Plataforma do Tratado de Windsor será feita pelo ‘senior partner’ da Eupportunity, Henrique Burnay, estando ainda previstas, no encerramento, intervenções de Gonçalo Lobo Xavier, da estrutura de Missão Portugal In (criada pelo Governo português para analisar as oportunidades de captação de investimento estrangeiro que possam surgir do Brexit) e do presidente da AEP.