Portugal está a cometer os mesmos erros que a Irlanda, ao resgatar o BES e limitar as perdas dos credores, alerta a ex-funcionária do Fundo Monetário Internacional Ashoka Mody.

Recorde-se que os detentores de dívida sénior passaram, junto com os depositantes, para o Novo Banco, enquanto que os detentores de obrigações subordinadas e acionistas permaneceram no «banco mau».

«Portugal está a seguir os passos da Irlanda», sublinhou a responsável que ajudou a desenhar o resgate à Irlanda. «São situações idênticas. É um erro não impôr perdas substanciais aos credores de dívida sénior. Nos Estados Unidos, estes perdem. Porque é que na Europa é diferente?», questiona.

Ashoka Mody compara a situação com a do Anglo Irish Bank, que foi nacionalizado em 2009, deixando intocados os detentores de obrigações sénior. «Portugal é um país que ainda se debate na recuperação do crescimento económico. Porque é que um país nesta situação, que já detém uma dívida significativa, tem de ficar com dívida adicional?»

De qualquer forma, se a opção tivesse passado por passar estes credores de dívida sénior para o Novo Banco, haveria alguns problemas a resolver, nomeadamente o facto de o Estado Português ter de garantir alguma dessa dívida. Isto aconteceria porque, aquando da emissão destas obrigações, muitas deles tinham já a garantia do Estado.

Outro problema que se colocaria é o facto do Banco Central Europeu acabar por ser credor de alguma dessa dívida, que terá sido dada como garantia em financiamentos.