O presidente dos conselhos de administração da Fundação Calouste Gulbenkian e do BPI, Artur Santos Silva, considerou existir hoje um «grande consenso sobre a necessidade de subir o salário mínimo», defendendo que «os portugueses têm que viver com mais dignidade».

«Acho que os portugueses têm que viver com mais dignidade, têm que viver melhor», afirmou Santos Silva, à margem de uma visita às obras da Igreja dos Clérigos, no Porto, sustentando haver atualmente «um grande consenso sobre a necessidade de subir o salário mínimo» no país.

Até porque, sustentou, mesmo sendo «evidente que a política salarial deve estar ligada à produtividade», o facto é que Portugal «tem mostrado nestes últimos anos uma grande capacidade de competir, porque há gente muito mais qualificada e porque há muito mais inovação».

«O nosso país está a fazer crescer muito as exportações e a substituir importações porque tem uma capacidade produtiva muito melhor. Os serviços também estão a responder muito bem, não só os serviços qualificados, como o turismo, onde o país está a ter crescimentos espetaculares», afirmou.

Na sexta-feira, no Parlamento, o ministro da Solidariedade, Emprego e Segurança Social afirmou que o aumento do salário mínimo nacional depende dos parceiros sociais e que é com eles, e não com os partidos políticos, que pretende fazer o debate sobre essa matéria.

Na sua declaração final, no fim da interpelação feita pelo Partido Socialista sobre pobreza e desigualdades sociais, Pedro Mota Soares disse que o Governo quer ouvir o que os parceiros sociais têm a dizer sobre a matéria e sublinhou que é com eles que deve ser feito o debate, em sede de concertação social.

Em entrevista, hoje, à agência Lusa, o secretário-geral da UGT reconhece a necessidade de um acordo de concertação social que inclua o aumento do salário mínimo para este ano.

«Precisamos do aumento do salário mínimo nacional e isso só é possível no âmbito de um acordo de concertação social, mas para entrar em vigor de imediato e não em janeiro de 2015», disse Carlos Silva.

A UGT reivindica um aumento para os 500 euros e está disposta a negociar em sede de concertação social, como contrapartida, algumas matérias relacionadas com a contratação coletiva, nomeadamente a duração das convenções coletivas e o prazo de caducidade das mesmas.