O primeiro-ministro ucraniano, Arseni Iatseniuk, ameaçou hoje em Bruxelas levar a Rússia a tribunal se as autoridades de Moscovo não aceitarem baixar o preço do gás, argumentando que a Ucrânia já foi «roubada» com a anexação da Crimeia.

Falando numa conferência de imprensa conjunta com o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, após um encontro entre o executivo comunitário e o governo ucraniano, Iatseniuk indicou que Kiev já enviou uma notificação à Gazprom russa a reclamar uma revisão urgente do acordo, que baseie os preços nas condições de mercado.

«Se a Rússia rejeitar, levaremos o caso ao tribunal (arbitral) de Estocolm, disse, acrescentando que, «salvo erro», Moscovo já tem menos de 20 dias para responder, e a advertência hoje feita «é a última para que se sente à mesa das negociações» em busca de uma revisão do acordo, após a qual, garantiu, a Ucrânia está disposta a pagar o que deve.

O primeiro-ministro ucraniano fez ainda questão de «lembrar» que a Rússia «roubou à Ucrânia mais de 2 mil milhões de metros cúbicos de gás», ao anexar a Crimeia: «roubaram os nossos campos (de gás natural), as nossas empresas» disse.

Por fim, Iatseniuk comentou que a Rússia deve «deixar de utilizar o gás natural como uma nova arma», e agradeceu a Durão Barroso a iniciativa de conversações trilaterais, entre UE, Rússia e Ucrânia, para tentar resolver o conflito.

O presidente da Comissão insistiu na importância destas conversações trilaterais, sublinhando a importância, para a UE, de ter em Moscovo e Kiev parceiros credíveis, enquanto países fornecedores e de trânsito de energia, e também defendeu a ideia de que o gás natural «não deve ser utilizado como arma política».