Maria Luís Albuquerque vai ser ouvida quinta-feira pela subcomissão de ética da Comissão parlamentar de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias acerca da nova situação profissional.

A deputada do PSD e ex-ministra das Finanças, que manifestou a intenção de prestar esclarecimentos aos deputados, foi contratada pelo grupo britânico de gestão de créditos Arrow Global. A contratação gerou críticas de violação do estatuto dos deputados e do regime de incompatibilidades de titulares de altos cargos públicos devido às ligações do novo empregador ao agora privatizado Banif.

A documentação pedida por BE e PCP ao Governo sobre eventuais contratualizações diretas entre o Estado português e aquele conglomerado britânico, durante o mandato de Albuquerque, chegou na terça-feira. 

Segundo o documento do gabinete do Ministério das Finanças, no total, foram concedidos 423.428,99 euros, entre 2011 e 2015, a duas das subsidiárias do Arrow Global: White Star Asset Solutions (404.228,88 euros) e Gesphone (19.200,11 euros), a título de "majoração à criação de emprego" e "crédito fiscal extraordinário ao investimento".

Hoje, em reunião da subcomissão de ética, chegou a ser proposta a audição imediata da ex-ministra das Finanças mas, como a convocatória para a audiência foi efetuada apenas na noite de terça-feira, o PS sugeriu a realização da mesma para quinta-feira, sendo acompanhado pelo PCP, com posterior concordância dos restantes grupos parlamentares.

A ex-ministra das Finanças será assim ouvida pelos seus pares na quinta-feira, pelas 13:30, a fim de os diversos deputados terem o tempo considerado adequado para preparem os trabalhos.

Os pareceres da subcomissão de ética costumam ser tomados num prazo mais curto, mas neste caso, e numa decisão inédita, o parecer foi adiado precisamente porque os deputados queriam mais informações. Agora que têm a documentação requerida em sua posse, vão ouvir então Maria Luís Albuquerque e redigir depois o dito parecer.