O secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, diz que os cortes nas pensões de sobrevivência são uma «enorme insensibilidade social» e vêm confirmar que o Governo escolheu «como inimigos» trabalhadores, reformados e pensionistas.

«Este Governo já não nos surpreende, porque elegeu há muito tempo trabalhadores, pensionistas e reformados como inimigos. Esta medida, para além de insensata, é de uma enormíssima insensibilidade social», disse Arménio Carlos à agência Lusa, salientando que enquanto o «Governo se mantiver em funções, os trabalhadores vão continuar a viver dias de sofrimento e angústia».

O ministro da Solidariedade, Emprego e Segurança Social confirmou domingo o corte, em 2014, nas pensões de sobrevivência, quando acumuladas com uma segunda reforma, sem esclarecer qual o patamar mínimo a partir do qual será feito esse corte.

Em declarações hoje à Lusa, o líder da CGTP sublinhou que a medida anunciada «não faz sentido e só vem demonstrar que o Governo fez uma opção em ser forte com aqueles que menos têm e fraco com os que têm tudo».

No entender de Arménio Carlos, o executivo podia arranjar outras soluções que permitissem uma poupança. «Há alternativas, há outras soluções. O Governo podia arrumar de vez as Parcerias Público Privadas, terminar com os chamados contratos swap e com os benefícios fiscais que continua a atribuir às grandes empresas, quer da área económica quer da financeira», frisou.

Por isso, Arménio Carlos salienta que «hoje, mais do que nunca», se justifica o aumento da contestação. «Não só o aumento da contestação, mas também da participação cívica, razão pela qual já convocámos duas grandes marchas contra a exploração e empobrecimento, para Lisboa e Porto, no dia 19 de outubro», concluiu.