O secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, anunciou esta segunda-feira que vai solicitar a presença do ministro da Defesa, José Pedro Aguiar Branco, na Concertação Social para esclarecimentos sobre a situação dos trabalhadores nos estaleiros de Viana do Castelo.

«Vamos solicitar a presença do senhor ministro da defesa para discutirmos a situação que se esta a viver nos estaleiros navais de Viana do Castelo. Consideramos que é uma matéria que não pode deixar de ser discutida aqui porque está em causa a indústria naval, mas tambem os interesses nacionais do ponto de vista económico e social», disse o sindicalista aos jornalistas à entrada da reunião de Concertação Social para debater o aumento da idade da reforma para os 66 anos em 2014.

Os 609 funcionários dos estaleiros de Viana começam hoje a conhecer as propostas para rescisão de contrato por mútuo acordo, que vão custar 30,1 milhões de euros, mas que são recusadas pela comissão de trabalhadores.

Neste processo, a indemnização individual mais baixa, já calculada pela administração dos Estaleiros Nacional de Viana do Castelo (ENVC), ronda os seis mil euros, enquanto a mais alta atingirá os 200 mil euros, indicou à Lusa fonte da administração.

A mesma fonte explicou que os funcionários vão começar a ser chamados para conhecer as respetivas propostas para rescisão dos contratos durante o dia de hoje, informação que já tinha sido comunicada oficialmente à comissão de trabalhadores na quinta-feira.

Depois de receberem as indemnizações devidas e após o subsídio de desemprego, que também está previsto nestes acordos, 230 trabalhadores estarão em condições de aceder à reforma, indicou a fonte.

Os estaleiros propõem-se a pagar, a cada trabalhador, um mês de salário por ano de atividade, parcela que representará 19,8 milhões de euros, e mais 2,1 milhões de euros em «proporcionais» aos subsídios de férias e de Natal.

Está ainda previsto o pagamento de 8,1 milhões de euros para compensar os descontos para o fundo de pensões da empresa, para o qual descontaram.

A comissão de trabalhadores, que agendou para hoje um plenário urgente, está a apelar para que qualquer proposta seja recusada, não dando o anúncio de encerramento dos ENVC como definitivo.