O secretário-geral da CGTP disse que as empresas privadas estão a seguir o caminho do Governo no corte de pensões da administração pública, aludindo ao novo fundo de pensões da papeleira Soporcel, que os trabalhadores contestam.

«Afinal, não eram só os trabalhadores da administração pública que eram privilegiados, foram usados primeiro para cortar nas pensões da administração pública e, agora, também já os privados querem cortar nos fundos de pensões dos trabalhadores do setor privado», disse Arménio Carlos aos jornalistas à margem de um plenário, na Figueira da Foz, dos trabalhadores do grupo Portucel Soporcel.

Para o líder da central sindical, a situação impõe um «alerta geral»: «Ao fim e ao cabo, estamos todos a ser vítimas de uma política que tem, necessariamente, de terminar».

Questionado sobre a situação do novo fundo de pensões da Portucel Soporcel, que os trabalhadores contestam, Arménio Carlos referiu que os resultados financeiros de 2013 do grupo empresarial que detém a papeleira, hoje divulgados, confirmam que a empresa «não tem razão nenhuma para estar a pressionar psicologicamente os trabalhadores que estão ao seu serviço com esta ideia de lhes retirar o [atual] fundo de pensões».

O grupo Portucel Soporcel anunciou hoje o aumento do volume de negócios em 1,9 % em 2013, face ao ano anterior, um resultado líquido de 210 milhões de euros e um volume de exportações que atingiu os 1.215 milhões de euros, com destino a 118 países.

«Esta empresa tem uma responsabilidade social, que também passa por manter compromissos que anteriormente foram assumidos. Só vem confirmar que a luta dos trabalhadores é justa e que se justifica que continue até que os trabalhadores vejam garantida a manutenção do fundo de pensões que, neste momento, a Soporcel está a tentar por em causa», afirmou Arménio Carlos.

Já sobre o facto de cerca de 300 funcionários da Soporcel se terem sindicalizado, a primeira vez desde que a empresa iniciou, há cerca de 30 anos, a laboração nas instalações de Lavos, Figueira da Foz, Arménio Carlos referiu que «nunca é tarde para começar».

«Está aqui o exemplo de que o sindicalismo de hoje continua a ser fundamental porque ele é indissociável do funcionamento da própria democracia», argumentou.