O líder da CGTP, Arménio Carlos, anunciou esta quinta-feira, durante a comemoração do Dia do Trabalhador, em Lisboa, uma jornada de «luta nacional» a 25 de maio, contra as medidas anunciadas pelo Governo. Recorde-se que as eleições europeias estão marcadas para esse dia.

A CGTP anunciou ainda novas manifestações a 14 de junho no Porto e a 21 de junho em Lisboa e a realização, a partir de 01 de junho, de «uma grande ação centrada nos locais de trabalho», com greves, paralisações e manifestações na semana de 26 a 31 de maio.

Arménio Carlos explicou que a CGTP escolheu aquela semana de maio «dado que foi no dia 27 de maio de 1974 que foi implementado o salário mínimo nacional».

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«Vamos realizar duas grandes manifestações no dia 14 de junho, no Porto, e 21 de junho, em Lisboa, para combater e derrotar as propostas anti-laborais e sociais apresentadas pelo Governo, para os setores privado e público, pela mudança de política e de Governo, pela realização de eleições antecipadas, que abram caminho à construção de uma política alternativa», disse Arménio Carlos.

O líder da CGTP falava no encerramento da manifestação comemorativa do Dia do Trabalhador, em Lisboa, organizada pela CGTP-IN.

Portugal vive o «momento mais negro desde o 25 de Abril»

Enquanto o secretário-geral falava em Lisboa, sindicalistas das GCTP defenderam no Porto, nas comemorações do Dia do Trabalhador, que só «a rotura com a política de direita» permitirá sair do «momento mais negro da vida coletiva desde o 25 de abril».

«Não há solução para o país sem uma rotura com a política de direita e sem a derrota deste Governo. Mesmo que se renegoceie a dívida, se se insistir na política de direita, mais cedo do que tarde voltaremos a ter o mesmo problema», afirmou o coordenador da União de Sindicatos do Porto (USP) e membro da comissão executiva da CGTP, João Torres, em declarações à agência Lusa momentos antes de subir ao palco montado pela intersindical na Avenida dos Aliados.

Resolução para intensificar luta nas empresas e nas urnas

A CGTP aprovou também uma resolução, no final da manifestação do Dia do Trabalhador em Lisboa, para intensificar a luta nas empresas e nas urnas e defender os valores de Abril em prol do emprego e dos salários. A resolução foi lida ao microfone para milhares de pessoas que participaram na manifestação em Lisboa.

«Os trabalhadores assumem o forte compromisso de engrossar o caudal de luta», lê-se na resolução, que aponta como objetivos derrotar a política do Governo, aumentar os salários e atualizar «imediatamente» o salário mínimo nacional para 515 euros a partir de 01 de junho.

Antes da aprovação da moção, o secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, disse, no seu discurso, que a manifestação de hoje constituiu «um enorme 1 de Maio, em Lisboa e em todo o país», já que decorreram iniciativas semelhantes noutras cidades.

«Ao contrário do que afirma o Governo, não é Abril nem os direitos políticos, económicos, sociais e culturais conquistados com luta que estão na origem da crise, mas a política de direita e o bloco central de interesses que ao longo dos últimos 30 anos divergiram e entraram em rota de colisão com os valores de Abril», disse Arménio Carlos para os manifestantes.

«é proporcional ao empobrecimento», que resulta da «maior recessão» do país na sua história recente, provocada «pelos PEC [Programa de Estabilidade e Crescimento], pelo memorando da troika e pelo do tratado orçamental».