O secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, disse hoje que o primeiro-ministro, Passos Coelho, não tem moral para pedir compromissos quando o Governo que lidera falhou aqueles que assumiu.

«Quando o primeiro-ministro, no congresso do PSD, assumiu o desafio de apelar a todos, partidos e parceiros sociais, para se disponibilizarem para a elaboração de compromissos, queremos dizer que não tem moral para falar da celebração de compromissos futuros quem é o primeiro a violar compromissos assumidos», afirmou Arménio Carlos, em conferência de imprensa na sede da central sindical, em Lisboa.

Segundo o dirigente sindical, o executivo liderado por Passos Coelho foi aquele que não cumpriu o compromisso de subir o salário mínimo, que apresentou medidas temporárias de cortes de rendimentos que agora quer transformar em definitivas ou que cortou os subsídios depois de prometer não o fazer.

«Este Governo não é pessoa de bem, não merece credibilidade para negociar e muito menos para se estabelecerem compromissos», concluiu Arménio Carlos.

A CGTP fez hoje, em conferência de imprensa, o balanço dos quase três anos da intervenção da troika em Portugal.

Segundo Arménio Carlos, «ao contrário do milagre económico» de que o Governo fala, o país «está em agudização», com o aumento do desemprego e do encerramento de empresas e a queda do rendimento dos cidadãos e do investimento público, a que se soma a emigração, que contribui para a «insustentabilidade demográfica» do país.

«Sendo verdade que as exportações aumentaram, também é verdade que maioria assenta em baixo valor acrescentado», afirmou o dirigente, adiantando ainda que se o défice diminuiu, já a dívida pública aumentou para 130% do Produto Interno Bruto (PIB) no final de 2013.

Ainda na reunião com os jornalistas, o dirigente sindical considerou «surrealista» a sugestão da Comissão Europeia de baixar mais os salários em Portugal, considerando que é do século XIX a tese de que salários baixos promovem emprego.

A CGTP organiza esta quinta-feira, em Lisboa, Porto e Coimbra, marchas contra as políticas que estão a ser seguidas e pela defesa dos serviços públicos.

De 08 a 15 de março a central sindical promove uma semana de luta contra as injustiças e a desigualdade.