O secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, defendeu hoje que é preciso tratar o mal da falta de emprego “pela raiz” e acabar com o modelo de precariedade, que se tornou na “antecâmara do desemprego”.

No final de uma reunião com a líder do CDS-PP, Assunção Cristas, no âmbito de um conjunto de encontros que a nova presidente centrista tem mantido com partidos e parceiros, Arménio Carlos foi questionado pelos jornalistas sobre os números que foram hoje conhecidos da taxa de desemprego, que aumentou 0,2 pontos percentuais em fevereiro, face a janeiro, para os 12,3%.

“Enquanto nós não tomarmos medidas de fundo para romper com este modelo de baixos salários e de trabalho precário, vamos continuar a ter esta situação. A precariedade tornou-se numa antecâmara do desemprego e, portanto, tão depressa se contrata trabalhadores como depressa se despede trabalhadores”, disse o líder sindical.

Na opinião de Arménio Carlos, continuando neste processo não vai ser encontrada uma solução e “por isso é que o desemprego continua a ser muito elevado”.

“Mais do que estarmos a discutir se baixou ou se aumentou 0,2%, o que nós precisamos é de tratar do mal pela raiz”, defendeu.

Aproveitando o momento de discussão do Programa Nacional de Reformas, o secretário-geral da CGTP quer “avançar com uma política que rompa com este modelo”, apostando num outro, “que tem que passar por um investimento na produção, pela aposta no valor acrescentado dessa mesma produção, mas por outro lado na estabilidade e na segurança no emprego e salários adequados”.

“[Estes números] confirmam que é mesmo preciso mudar porque, se nós não mudarmos o modelo, daqui a um mês, daqui a um ano, daqui a dois anos, continuamos a fazer a mesma discussão e esta é uma discussão que já é tão velha, tão velha, tão velha que no mínimo exige uma resposta diferente do que aquela que tem sido dada até agora”, enfatizou.

Sobre a reunião com o CDS-PP, Arménio Carlos afirmou que houve convergência em relação ao diagnóstico dos problemas, que “estão à vista de toda a gente”.

“Os trabalhadores foram aqueles mais penalizados em resultado das políticas seguidas pelo anterior governo PSD/CDS juntamente com a ‘troika’. Temos soluções que são claramente diferentes daquelas que o CDS continua a perfilhar”, diferenciou.

Segundo o responsável sindical, a sintonia entre CGTP e CDS “verificou-se em relação a um ponto: a Caixa Geral de Depósitos e a importância de continuar a ser uma estrutura pública, suscetível de poder ajudar a responder a esta pressão que está a ser exercida junto do setor financeiro”.