O secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, acusou o Governo de mentir sobre a situação da economia portuguesa e defendeu a necessidade de os trabalhadores continuarem a lutar pelos seus direitos e pela sua dignidade.

«Estamos confrontados com propaganda de contrabando ideológico, em que o Governo transforma o prejuízo em lucro. São mais mentirosos que o Pinóquio», disse o sindicalista aos trabalhadores da Imprensa Nacional Casa da Moeda (INCM) que se concentraram esta tarde junto ao Ministério das Finanças.

Aos jornalistas presentes no local, Arménio Carlos disse que «estamos perante um novo milagre», conseguido pela alteração dos critérios da contabilidade pública.

«A ideia que passa para a opinião pública é de que o PIB vai começar a crescer, quando vai continuar na mesma zona em que está. O Governo pretende passar a ideia de o país está a melhorar quando o país continua a piorar», disse.

O líder da CGTP participou numa ação de protesto dos trabalhadores da INCM, solidarizou-se com a sua luta e exortou-os a continuar a defender os seus direitos.

Os trabalhadores da INCM concentraram-se frente ao Ministério das Finanças em protesto contra a retirada de benefícios assegurados pelos respetivos serviços sociais e para exigir uma reunião com a secretária de Estado do Tesouro, que os tutela.

Arménio Carlos considerou que o caso destes trabalhadores «é paradigmático», sendo um exemplo da falta de diálogo das administrações das empresas públicas e mais um exemplo de nivelamento por baixo, em que o Governo tem retirado direitos e regalias a trabalhadores do setor público em nome de uma falsa igualdade.

«Os trabalhadores da administração pública e do setor empresarial do Estado foram fortemente penalizados nos últimos anos e o que é que os trabalhadores do setor privado ganharam com isso? Tudo piorou para os trabalhadores do público e do privado», disse.

Por isso, o sindicalista defendeu que «neste quadro, não resta aos trabalhadores outra alternativa senão lutar pelos seus direitos e regalias».

Os trabalhadores da INCM, que têm concretizado várias ações de luta nos últimos dois meses, nomeadamente um dia de greve a 19 de dezembro, deslocaram-se ao Ministério das Finanças para pressionar o diálogo com a tutela de modo a impedir a entrada em vigor de um novo regulamento dos serviços sociais que consideram prejudicial.