O secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, disse esta terça-feira num desfile de trabalhadores em Lisboa que o Governo tem de cumprir o prometido, referindo-se diretamente ao processo legislativo sobre a reposição das 35 horas de trabalho.

“Aos que dizem que não podem recolocar as 35 horas nós dizemos que as promessas têm de ser cumpridas e que a palavra tem de ser honrada. O limite máximo para a aplicação do horário semanal para os trabalhadores da administração central, regional e local seria o dia 1 de julho. Agora não nos venham dizer que isto traz problemas”, afirmou Arménio Carlos durante um discurso perante centenas de trabalhadores concentrados em frente à sede do Conselho de Ministros, em Lisboa.

Para o secretário-geral da CGTP, “a questão das 35 horas é central” e, por isso, sublinhou ser necessária uma lei que reponha definitivamente o horário, “sem negociações”, para a administração central e administração local.

“O processo está na Assembleia da República e a votação final é no dia 27 [maio] e, por isso, vamos lá honrar a palavra, vamos lá credibilizar os políticos e vamos lá reforçar a democracia e, já agora, votar no dia 27 a reposição das 35 horas para todos os trabalhadores”, afirmou Arménio Carlos.

Durante o discurso, o secretário-geral da CGTP disse várias vezes que a central sindical está disposta a negociar em nome dos trabalhadores, mas ao mesmo tempo avisou que o Governo pode contar com oposição se “porventura pensar sequer” em dar continuidade à política de desequilíbrio e das desigualdades.

“Contem connosco para isto andar para a frente, não contem connosco para isto continuar tudo na mesma”, frisou, sublinhando que a CGTP jamais irá pactuar com qualquer lei ou medida que ponha em causa os direitos dos trabalhadores.

“Preferimos ficar sozinhos com o apoio dos trabalhadores do que ficar acompanhados pelo capital a legislar e a assinar acordos contra os trabalhadores”, avisou o secretário-geral da CGTP.

Arménio Carlos acrescentou que o Governo não pode “fazer de conta” quando confrontado com situações que, afirma, ocorrem na administração central e particularmente na administração local, referindo-se aos postos de trabalho permanentes ocupados por desempregados “que são, ao fim de um ano, renovados e substituídos por outros”.

“Não estamos no contra, nós estamos aqui porque os trabalhadores da administração local saíram à rua para dizerem que é preciso uma resposta: estamos a falar de trabalhadores que, desde 2009, não vêm qualquer atualização do salário e que desde 2006 não vêm correspondidas as evoluções das carreiras profissionais e que continuam a não ver reposto o subsídio de Natal de uma única vez no mês de novembro”, acrescentou.

Arménio Carlos participou num desfile de trabalhadores da administração local entre a zona da Estrela até à Presidência do Conselho de Ministros, na Rua Professor Gomes Teixeira, na zona de Campo de Ourique, Lisboa, onde foi entregue uma resolução dos trabalhadores.

No desfile participam centenas de pessoas do Sindicato dos Trabalhadores da Administração Local e Regional, Empresas Públicas, Concessionárias e Afins (STAL) e do Sindicato dos Trabalhadores do Município de Lisboa (STML).

Antes, o secretário geral da CGTP tinha dito que a central sindical ia continuar a lutar firmemente pela melhoria salarial e pela defesa dos serviços públicos.

Para o líder da CGPT, Armênio Carlos, além da "luta pelas 35 horas", é preciso a "atualização dos salários e uma defesa firme pelos serviços públicos".

"Serviços públicos sim, privatizações não" e "Segurança Social é nossa, não é do capital", foram algumas das palavras de ordem dos manifestantes que se dirigem para a sede do conselho de ministros.