O secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, afirmou esta segunda-feira que as avaliações da troika ao cumprimento do programa de resgate português só têm sido positivas para quem tem beneficiado das políticas concretizadas, como os credores.

«O senhor vice-primeiro-ministro procurou passar a ideia de que estávamos a entrar no bom caminho e, infelizmente, não estamos, porque os problemas se agudizam», afirmou à Lusa Arménio Carlos, depois de o Governo ter anunciado, em conferência de imprensa, que a décima avaliação regular da troika (Banco Central Europeu, Fundo Monetário Internacional e Comissão Europeia) ao programa de resgate de Portugal, que terminou esta segunda-feira, «foi positiva».

Para o secretário-geral da CGTP, «a avaliação tem sido positiva até hoje para aqueles que têm beneficiado dessas políticas», como «aqueles que nos cobram os juros e que nos levam mais de sete mil milhões de euros» todos os anos.

«E são também aqueles das parcerias público-privadas [PPP], dos swaps. Para esses, as coisas não estão a correr mal, estão até a correr bem, estão a correr até de acordo com aquilo que eram as suas previsões, o problema é que o país não vive com esses», acrescentou.

Arménio Carlos recordou ainda que a troika «assumiu que o memorando [de entendimento, assinado com o Governo português] era apenas o início de um processo de austeridade», que vai prolongar-se por muitos anos.