O secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, afirmou hoje que a «Marcha por Abril», que terá lugar a 19 de outubro, «vai ser (...) marcante em defesa de uma mudança de políticas e da soberania do País».

«Vai ser um dia marcante, do ponto de vista da participação cívica pela exigência de mudança de políticas e pela exigência de respeito pela soberania do País», disse Arménio Carlos, adiantando que a central sindical tem indicações de que esta iniciativa irá ter uma grande adesão dos trabalhadores portugueses.

O líder da CGTP admitiu que os resultados das eleições autárquicas de 29 de setembro contribuíram para dar mais força ao movimento sindical, como se deverá ver já no dia 19 de outubro, na «Marcha por Abril - Contra a exploração e o empobrecimento», organizada pela CGTP nas cidades de Lisboa e do Porto.

«Se é verdade que a luta dos trabalhadores e das populações teve um significado especial nos resultados das eleições autárquicas de 29 de setembro, e que constituíram uma estrondosa derrota do governo PSD/CDS, também é verdade que os resultados eleitorais deram mais força, mais confiança, e vão ajudar à luta dos trabalhadores», disse.

No almoço comemorativo dos 43 anos da CGTP, que decorreu na Baixa da Banheira, concelho da Moita, foi lançada uma brochura editada pela CGTP-IN com a intervenção de Álvaro Cunhal no 25º aniversário da central sindical.

Para Arménio Carlos, o antigo líder do PCP foi «um amigo dos trabalhadores» com uma visão estratégica sobre a organização do movimento sindical que está na génese da própria CGTP.

«De alguma forma, a génese da CGTP, nomeadamente a criação da Intersindical nacional, está ligada à visão estratégica de Álvaro Cunhal, em que o local de trabalho era o espaço privilegiado para a intervenção sindical», disse Arménio Carlos.

Presidente da República está distanciado da realidade do País

O secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, também acusou o Presidente da República de estar «distanciado da realidade do País» e de querer «manter a todo o custo um Governo que está a conduzir o País para o caos».

«A declaração do Presidente da República, quando chama masoquistas àqueles que continuam a chamar à atenção para que estas políticas que estão a levar o País para a degradação económica e social, não faz sentido», disse à Lusa Arménio Carlos.

«Aquilo que nós hoje percebemos - e que é cada vez mais evidente - é que esta dívida (dívida de Portugal) é impagável, porque o País está a ser impedido de produzir riqueza e criar emprego, não tem condições para continuar a pagar juros na ordem dos sete por cento», afirmou.

«Não ver isto, ou recusar-se a ver isto, é estar completamente distanciado da realidade do País e, mais grave do que isso, é estar numa situação de conluio permanente para manter a todo o custo um Governo que está a conduzir o País para uma situação de caos», acrescentou.

O líder da CGTP, que falava à Lusa no final de um almoço comemorativo dos 43 anos da CGTP, na Baixa da Banheira, concelho da Moita, contestou também os argumentos dos defensores das atuais políticas de austeridade, segundo os quais o não pagamento da dívida teria consequências ainda mais penalizadoras do que as atuais medidas de austeridade.