O presidente da associação das petrolíferas considerou hoje normal que muitas famílias e empresas abasteçam os seus veículos em Espanha, dada a diferença de preços dos combustíveis nos dois países, destacando os prejuízos para as empresas e a economia portuguesas.

"Esta disparidade [dos preços dos combustíveis] com Espanha é um fator de perturbação do mercado nacional, com claros prejuízos para a economia nacional", disse à agência Lusa António Comprido, presidente da Associação Portuguesa de Empresas Petrolíferas (APETRO).

O responsável, que falava à margem de uma conferência sobre o setor dos combustíveis que hoje decorreu em Lisboa, na Fundação Gulbenkian, escusou-se a comentar o apelo lançado na semana passada pelo ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral, para que os portugueses não abasteçam os seus veículos com combustível em Espanha.

"Compete aos portugueses ouvirem, ou não, as palavras do ministro", afirmou António Comprido, constatando que existe neste campo uma clara "assimetria" entre os dois países ibéricos.

"Se lá [Espanha] o preço é mais barato, é normal que as pessoas e as empresas abasteçam lá", atirou.

Certo é que, segundo o líder da APETRO, com esta escolha os portugueses estão "a prejudicar a economia, as empresas e o Governo português, que arrecada menos impostos".

Por isso, António Comprido defendeu uma "aproximação" dos preços dos combustíveis entre os dois países, para que as empresas do setor em Portugal consigam "recuperar volumes" perdidos para o país vizinho.

"O grande problema está no gasóleo e não na gasolina", vincou, já que o primeiro representa 80% das vendas e o segundo os restantes 20%.

Até porque as empresas de transportes rodoviários, que operam a nível internacional, optam quase sem exceção por abastecer os camiões em Espanha, indicou.

Questionado sobre os incentivos que poderão ser dados pelo executivo de António Costa para as transportadoras, de forma a minimizar o efeito do aumento da carga fiscal sobre os combustíveis, Comprido disse que cabe aos representantes do setor pronunciarem-se, e não às petrolíferas.