O turismo, a emigração e a atribuição de vistos gold ajudaram o mercado imobiliário a registar uma recuperação nos nove primeiros meses deste ano, avança a Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária (APEMIP).

«O mercado conheceu, nestes últimos meses, um dinamismo mais positivo enfatizado pelas dinâmicas próprias do mercado, de entre as quais se realçam os fluxos turísticos, emigração e os vistos gold» (atribuídos a estrangeiros que invistam mais de 500 mil euros em Portugal), referiu a associação numa nota divulgada esta terça-feira e citada pela Lusa.

De acordo com a APEMIP, nos primeiros nove meses do ano foram transacionados cerca de 72 mil imóveis, dos quais um terço no terceiro trimestre.

«Só no terceiro trimestre, estima-se que as transações tenham ascendido a 25 mil, registando-se um crescimento de 8,7% face ao trimestre anterior. O mês de agosto terá sido o mais representativo, com 38% das transações efetuadas», adianta a APEMIP.

No início do mês de setembro, o presidente da APEMIP afirmou que «existiam contornos otimistas no mercado imobiliário».

«A auscultação do sector permite-me ter uma noção antecipada do que se passa no mercado (...). Espero que esta tendência de retoma não seja apenas sazonal e que se mantenha, sendo para isso necessário que o nosso país consiga transmitir uma imagem confiança no mercado imobiliário», disse Luís Carvalho Lima.

A APEMIP adiantou também hoje que o número de imóveis entregues pelas famílias aos bancos por falta de meios para os pagar registou uma quebra de 58% nos últimos nove meses, face ao mesmo período do ano passado.

De acordo com a associação dos imobiliários, as famílias entregaram 1.849 imóveis entre janeiro e setembro.

Deste total, 503 foram entregues no terceiro trimestre, o que representa um decréscimo de 29% face ao trimestre anterior.

Segundo o presidente da APEMIP, Luís Carvalho Lima, o decréscimo no número de imóveis entregues em dação está relacionado com a atuação dos bancos junto dos seus clientes.

«Como já tenho afirmado por várias vezes, os bancos passaram a adotar uma posição mais facilitadora do pagamento das dívidas de crédito à habitação pelas famílias», sublinhou.

A APEMIP estima que nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto se concentraram cerca de 30% das ocorrências, sendo que, dos 10 municípios mais penalizados em termos nacionais, sete pertenceram a estas duas unidades territoriais (Sintra, Oeiras, Vila Nova de Gaia, Gondomar, Moita, Montijo e Palmela).

As restantes dizem respeito a Povoação, Coimbra e Cantanhede.