A associação de mediação imobiliária (APEMIP) espera um investimento de 600 milhões de euros em vistos gold, segundo um comunicado, que indica a atribuição até hoje de 542 vistos, num investimento superior a 336 milhões de euros.

Para este ano, o presidente da Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal, Luís Lima estima que o investimento possa aproximar-se dos 600 milhões de euros, mais 100 milhões de euros que o previsto pelo Governo.

«O vice-primeiro-ministro e impulsionador desta medida, Dr. Paulo Portas, afirmou que este ano o valor de investimento em Portugal através dos vistos gold deverá chegar aos 500 milhões de euros. Na minha opinião este investimento poderá alcançar facilmente os 600 milhões de euros, desde que seja feito um trabalho de promoção adequado deste programa além-fronteiras», disse o dirigente.

O presidente da APEMIP acredita que o valor esperado pode ser multiplicado pelo poder de atração que estes investimentos geram e pelo efeito de contágio de outros potenciais investidores estrangeiros.

«Um euro investido no nosso país é facilmente multiplicado por cinco ou seis. Estes investidores irão também acabar por gastar dinheiro em mobiliário, gastronomia, lazer ou saúde contribuindo em muito para a dinamização da economia interna do país», argumentou.

A APEMIP estima que através do programa de autorização de residência para atividades de investimento tenham entrado no país cerca de 300 milhões de euros através de aquisição de imóveis, tendo a transferência de capitais significado 36 milhões de euros.

Os chineses (433) continuam a liderar a tabela de cidadãos estrangeiros que recebem os vistos gold, seguindo-se na lista os naturais da Rússia (23), do Brasil (14), Angola (14) e África do Sul (11).

Nos dados fornecidos pela APEMIP foram concedidos dois vistos gold em 2012, 484 em 2013 e 56 em 2014, sendo que no total 508 foram atribuídos através de compra de imóveis. Por transferência de capitais foram atribuídos 32 e dois por criação de, pelo menos, 10 postos de trabalho.

«O país tem que ser suficientemente inteligente para olhar para este mercado e perceber que o imobiliário português é exportável. Os agentes do setor têm levado a cabo ações de captação de investimento, mas promover eficazmente a nossa economia sem apoios é muito difícil. As verbas disponibilizadas pela Europa deveriam também servir apoiar ações de internacionalização, como a que agora terá lugar na China, organizada pela Fundação AIP, com o apoio da CIMLOP [Confederação da Construção e do Imobiliário de Língua Oficial Portuguesa]», acrescentou Luís Lima.

A atribuição dos vistos gold impõe que a atividade de investimento, promovida por um indivíduo ou uma sociedade seja desenvolvida por um período mínimo de cinco anos em Portugal, prevendo-se várias opções, em que se incluem a transferência de capital num montante igual ou superior a um milhão de euros, a criação de pelo menos dez postos de trabalho ou a compra de imóveis num valor mínimo de 500 mil euros.