As autoridades portuguesas concederam 65 vistos gold em janeiro, correspondentes a um investimento de 38,5 milhões de euros, dos quais 93% relativos ao setor imobiliário, segundo os dados da associação de mediadores imobiliários.

"O mês de janeiro registou um número de 65 vistos concedidos, registando-se um decréscimo de 30 vistos face ao mês anterior, em que se registou um total de 95 vistos atribuídos", lê-se no comunicado divulgado pela Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP).

Do total de 65 vistos concedidos no primeiro mês do ano (contra os 95 de dezembro), que implicam um investimento na ordem dos 38,5 milhões de euros, 62 vistos foram justificados através da compra de imóveis (35,8 milhões de euros).

"Este decréscimo é um péssimo sinal para o mercado e para a sustentabilidade deste programa. Este tipo de quebras dá aos potenciais investidores uma imagem de ineficácia do programa que põe em causa a sua credibilidade", considerou Luís Lima, presidente da APEMIP.

E reforçou: "O processo de atribuição de vistos continua estagnado e, infelizmente, a sua normalização parece não estar em vista. O País, as autarquias e os agentes de mercado continuam a perder este investimento que tanta falta faz, sem se perceber porque motivo".

Luís Lima reclama a normalização deste procedimento, denunciando que "continua a haver centenas de processos a aguardar despacho pelo Serviço de Estrangeiros e Fronteiras" e que, "enquanto os investidores esperam e desesperam", a imagem da credibilidade portuguesa "é constantemente fustigada além-fronteiras".

No que toca às nacionalidades, a China continua a dominar a tabela (46 em janeiro e 2.248 no total), seguida pelo Brasil (5 em janeiro e 110 no total), pela Rússia (2 em janeiro e 99 no total), pela África do Sul (0 em janeiro e 75 no total) e pelo Líbano (0 em janeiro e 44 no total).

Com as atribuições de janeiro o número total de vistos 'gold' ascende agora aos 2.853 Autorizações de Residência para Investimento (ARI), ligados a um investimento de 1,73 mil milhões de euros.

Do total de vistos concedidos desde o lançamento do programa em 2012, 2.697 ARI deveram-se à aquisição de bens imóveis, 151 à transferência de capitais, e cinco à criação de, pelo menos, 10 postos de trabalho.