Os países emergentes dos BRICS, reunidos à margem da cimeira do G20 em São Petersburgo, apelaram hoje aos países desenvolvidos para agirem com prudência face às «consequências negativas» da sua política monetária, que força à desvalorização de algumas das suas divisas.

Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul (BRICS), em comunicado divulgado após o encontro, consideraram ainda «que as grandes economias, incluindo o G20, poderiam fazer mais» para apoiar a economia mundial e «a confiança dos mercados».

«Foram reiteradas as suas inquietações (...) relacionadas com as repercussões negativas involuntárias das políticas monetárias não-convencionais de certos países desenvolvidos», indicaram.

«Sublinharam que a eventual normalização das políticas monetárias deve ser calibrada de forma eficaz e claramente comunicada», acrescenta o comunicado.

Os grandes países emergentes faziam referência, sem o designar, ao banco central dos Estados Unidos.

A Reserva federal (Fed) inunda desde há vários anos o sistema financeiro com liquidez, em parte investida nos mercados emergentes. Mas preveniu que reduziria em breve o seu apoio à economia, implicando a fuga em massa de capitais desses mercados, pelo facto de os investidores regressarem aos Estados Unidos.

A Índia registou uma queda da sua moeda em cerca de 25% desde o início de 2013, o Brasil 15% e a Rússia 10%.

Os Estados Unidos argumentam por sua vez que a alteração da sua política monetária está relacionada com a retoma da atividade, que constitui uma boa notícia para a economia mundial.