A greve de três dias dos trabalhadores da logística da Sonae na Maia (Porto) teve uma adesão na ordem dos 60%, disse, nesta quinta-feira, à Lusa fonte do Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal.

O aumento de salários está no topo das reivindicações dos trabalhadores da logística da Sonae na Maia, que iniciaram o piquete de greve na segunda-feira, dia 21, ao som da música “Imagine all the people”, de John Lennon, e de músicas de intervenção como o “Grândola Vila Morena”, terminando os dias de luta na quarta-feira, dia 23.

“A adesão em termos globais, o balanço é francamente positivo”, declarou Jorge Pinto, coordenador da região Norte do Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal (CESP).

Segundo dados do CESP, em termos de funcionários efetivos participaram na greve “60% dos trabalhadores”.

“Do nosso ponto de vista, acho que foi uma greve à altura da importância que era necessária para fazer ver à empresa as justas reivindicações dos trabalhadores da logística da Sonae”, acrescentou Jorge Pinto.

A adesão só não foi maior, segundo o dirigente sindical, porque há muitos funcionários que não aderem porque “estão em regime precário”, a “contrato” ou a trabalhar em “empresas de trabalho temporário”.

O CESP voltou a avisar que vai fazer um novo plenário em janeiro de 2016 para prosseguir com a luta por melhores salários, porque a empresa Sonae não resolve o assunto e remete a responsabilidade para a Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED), que há quatro anos que nada resolve, conta o dirigente sindical.

“A empresa está-se a posicionar numa situação em que os aumentos salariais têm de ser negociados no âmbito do contrato com a APED e remete para aí”, indicou Jorge Pinto, lamentando que a “APED há mais de quatro anos que negoceia, mas não aumenta os salários, porque quer reverter um conjunto de regalais que o contrato tem e que nós não podemos aceitar”.

“É de certa forma um braço de ferro e daí nos em janeiro iremos convocar novo plenário para ver que formas de luta e como prosseguir a luta”, reiterou o sindicalista.

Entre as reivindicações dos trabalhadores estão o aumento do salário em 30 euros por mês e do subsídio de refeição em 5%.

Fonte oficial do polo logístico da Maia da Sonae MC, contactada pela Lusa a 21 de dezembro, explicava que a negociação do contrato coletivo de trabalho do setor, onde se inclui a negociação das cláusulas remuneratórias, era “da responsabilidade da APED".

"Está inclusive um processo negocial em curso e é nesta sede que esta temática deve ser tratada", disse a mesma fonte da Sonae, observando, todavia, que "o direito à greve é um direito que assiste a todos os trabalhadores, sendo que a empresa tem sempre pautado a sua atuação por princípios éticos e legais de referência no setor".

Em declarações à Lusa, o coordenador da região Norte do CESP, Jorge Pinto, classificou de “injusto” o facto de os trabalhadores da logística Sonae apenas receberem o ordenado mínimo de 520 euros, quando há trabalhadores de empresas congéneres, como do Lidl ou da Jerónimo Martins, a receber 600 euros de salário mínimo.