As vendas globais do comércio a retalho em Portugal vão continuar a cair até ao final do ano, mas menos que o verificado no primeiro semestre, disse esta terça-feira a diretora-geral da APED, Ana Trigo Morais.

Vendas no comércio a retalho caem 1,5%

Falando à imprensa na apresentação do barómetro de vendas da Associação Portuguesa das Empresas de Distribuição (APED), relativo ao primeiro semestre de 2013, Ana Trigo Morais garantiu que no segundo semestre deste ano «a tendência da quebra [das vendas globais] vai continuar», pois as projeções apontam para uma queda no consumo, embora tenha dito que a expectativa é de «uma menor descida» do que a que tem vindo a acontecer até agora.

A dirigente da APED disse igualmente que o setor alimentar vai «continuar a resistir» e a apresentar uma «forte resiliência», enquanto o setor do comércio a retalho não alimentar vai «manter-se ainda com dificuldades», no fundo as duas características que marcaram os seis primeiros meses de 2013, salientou.

De acordo com o barómetro da (APED), o volume global de vendas do comércio a retalho (alimentar e não alimentar) caiu 1,5% nos seis primeiros meses de 2013, para 8.591 milhões de euros.

A evitar uma maior queda estiveram as vendas de produtos alimentares, que aumentaram 2,1% no primeiro semestre de 2013, comparativamente a igual período do ano passado, situando-se em 5.020 milhões de euros.

O barómetro de vendas da APED justifica esta «pequena subida» divido à forte política de promoções e oferta de propostas de valor que permitiram ao retalho alimentar «travar as quedas».

No caso do retalho não alimentar, o volume de vendas caiu 6,1% para 3.571 milhões de euros, no período em análise, o que se deveu ao contexto macroeconómico recessivo e à quebra no rendimento das famílias.

O mercado que maior queda apresentou ao nível das vendas no retalho não alimentar foi o da eletrónica de consumo, ao quebrar 37,7%.

Em contraciclo, destacou-se o mercado das telecomunicações com uma subida de 29,9% no primeiro semestre deste ano.

Ana Trigo de Morais referiu também o fato de o comércio tradicional ou o pequeno comércio mostrar uma tendência para crescer, «o que acontece pela primeira vez», denotando assim uma capacidade para se revitalizar, renovar e posicionar-se com uma «grande dinâmica concorrencial».

A aquisição de equipamentos, tais como smartphones e tablets, sinaliza uma tendência de consumo futuro, explicou a dirigente da APED.

«Os consumidores estão a equipar-se tendo em conta o papel que a Internet está e irá ter ao nível das compras e do consumo no futuro», sublinhou.

A dirigente da APED referiu-se ainda ao importante esforço que tem vindo a ser feito em termos de proposta de valor para o consumidor, desde os fabricantes até aos distribuidores, e que procura dar resposta à redução do rendimento das famílias.