O presidente executivo do Banco Santander Totta considera «preocupante» que o Orçamento de Estado seja novamente marcado por austeridade, receando que o impacto em parte dos portugueses possa alimentar a instabilidade social.

«Em termos genéricos, é um orçamento mais uma vez de rigor, mais uma vez um orçamento de austeridade. Como todos os orçamentos desse tipo, são preocupantes», afirmou António Vieira Monteiro à agência Lusa em Londres, onde o Santander Totta recebeu, na quinta-feira à noite, o prémio da revista The Banker de melhor banco em Portugal.

«É verdade que o ajustamento da economia tem vindo a ser feito e tanto as empresas como as famílias portuguesas estão mais preparadas para enfrentar a austeridade. Mas a austeridade não deixa de preocupar, sobretudo relativamente às franjas da população que mais sofrem com essa austeridade, que mais problemas vão ter em termos de futuro. É preciso ter em conta essa situação», continuou.

O banqueiro não prevê que o Santander seja afetado por um aumento do crédito malparado devido à dificuldade dos clientes em pagarem empréstimos, «se não acontecer nada de imprevisível».

Mas receia o impacto na sociedade em geral do OE para o próximo ano: «A instabilidade social é sempre um aspeto extremamente negativo, e todos nós devemos ter cuidado com ela».

Elegendo a estabilidade política e social como indispensável para o setor financeiro, e tendo em mente as recentes manifestações em Portugal dos polícias e funcionários públicos, Vieira Monteiro questiona-se se o país está disposto a continuar a aguentar a austeridade.

«Acho que grandes franjas da população aceitaram que era necessário fazer alguma coisa, uma correção daquilo que o país tinha passado. O governo anunciou desde o início que 2014 seria a luz ao fundo do túnel. O que as pessoas hoje estão a sentir é que 2014 não será a luz ao fundo do túnel, só será em 2015. E isto pesa nas pessoas. Temos de olhar para isso com alguma preocupação», disse.