O presidente da Confederação da Indústria Portuguesa sugeriu este sábado que a CGTP está interessada em "esvaziar a concertação social" para tentar alcançar no parlamento o que não conseguiu em sede de concertação social.

"Quero admitir que a CGTP estará interessada em esvaziar a concertação social reforçando em parlamento aquilo que em concertação social não tem conseguido", afirmou António Saraiva, sublinhando que encara "alguns sinais" dados pelo novo Governo, nomeadamente a fixação do salário mínimo em 530 euros e a reposição dos feriados, como "uma exigência da CGTP dentro da negociação que obrigou o PC junto do PS".

António Saraiva falava aos jornalistas à margem da conferência "Futuro, que reformas", que hoje abriu o segundo dia do Fórum Empresarial do Algarve, que decorre até domingo num hotel em Vilamoura sob o tema "2020, Portugal e o mundo".

Segundo aquele responsável, a abordagem do recém-empossado governo, liderado pelo socialista António Costa, relativamente à questão do salário mínimo nacional e da reposição dos feriados suspensos pelo anterior governo PSD/CDS-PP "não são sinais no bom sentido" do reforço da concertação social.

"É a concertação social casa mãe para alguns temas, é o parlamento legitimamente eleito para outros, a junção dos dois pilares de estabilidade, o político no Parlamento e o social em concertação, devem ser preservados (...) e não se deve esvaziar o papel da concertação social, porque é um pilar fundamental para a estabilidade do país", afirmou.

Questionado pelos jornalistas sobre se teme que o Governo reverta, por exemplo, as reformas do IRS e do IRC, António Saraiva admitiu temer que "possa ter apetência" para reveter algumas delas.

"Daí o nosso apelo para que haja sensatez de perceber o quão fundamental é a estabilidade nas políticas", afirmou, referindo que espera "que não passem de sinais" e que depois de estarem "sentados nas cadeiras de responsabilidade" percebam que essa estabilidade é "fundamental" para o investimento.