O presidente da CIP, António Saraiva, manifestou esta quinta-feira a preocupação desta organização patronal ao ver a reforma do Estado português permanentemente adiada.

O líder da Confederação Empresarial de Portugal afirmou à Lusa, no final de uma audiência com o Presidente da República, que a CIP está preocupada com «o adiamento permanente» da reforma do Estado, facto que foi transmitido a Cavaco Silva.

«Na nossa perspetiva já não há tempo nesta legislatura para realizar a reforma do Estado, mas de qualquer modo o Governo não pode perder o ímpeto reformista», realçou o líder patronal, adiantando que a reforma do Estado continua a ser, para a CIP, «um dos objetivos que deverá ser atingido¿.

O encontro com o Presidente da República serviu para apresentar cumprimentos por parte dos novos órgãos sociais da CIP, recentemente eleitos, e para apresentar o programa da candidatura focalizado na promoção do crescimento económico, na criação de investimento, no reforço do diálogo social, no aumento do papel do associativismo patronal e da sua coesão e fortalecimento da lusofonia em termos de economia.

Para António Saraiva, é através da reforma do Estado que o país removerá alguns dos obstáculos que estão criados ao desenvolvimento das atividades económicas, «caso da burocracia asfixiante, da morosidade nos licenciamentos, da política fiscal e da sua previsibilidade».

«Há aqui todo um quadro que desejamos que ao nível da reforma do Estado se faça para o dotar de maior eficiência», esclareceu.

A definição do próprio Estado na economia, «como regulador e [das áreas] de onde deve sair», nomeadamente através de privatizações, concessões ou de várias formas de se tornar mais ágil é para o presidente da CIP fundamental.

«A reforma do Estado é estruturante para a economia portuguesa e tem impedido o desenvolvimento da atividade económica, por estar demasiado presente ou ser demasiado asfixiante nalgumas matérias, como a burocracia, a morosidade na Justiça e nos licenciamentos».

A CIP defende que se devem remover estes «obstáculos da estrada do desenvolvimento» a qual «[ os empresários] querem trilhar».

As reformas, incluindo as do Estado, têm para a CIP de «durar para além de uma legislatura», uma vez que deve existir, entre outros aspetos, «previsibilidade fiscal».

«Não podemos ficar reféns dos ciclos eleitorais de quatro em quatro anos ou muitas vezes antes desse período e que alterem as regras desse jogo», lamentou.

Daí que a CIP advogue que se façam «compromissos entre os partidos com assento parlamentar e do arco do poder para que se promovam reformas duradouras no tempo».

As lideranças partidárias «devem entender-se, independentemente das agendas partidárias, pois é tempo de colocarem os interesses nacionais à frente», concluiu.