Portugal tem condições para resolver rapidamente a atual crise política no quadro parlamentar, sendo crucial que o Governo peça à troika a flexibilização das metas do défice e abra um ciclo de políticas viradas para o crescimento, disse o presidente da Confederação da Indústria Portuguesa (CIP) em entrevista à Reuters.

António Saraiva diz que «a crise tem de ser ultrapassada no quadro parlamentar, onde há condições para o fazer, porque, se o país for para eleições, vai parar 5 a 6 meses, que ninguém deseja, e vai arrefecer ainda mais a economia», que já está numa grave recessão.

«Esta crise política que foi criada é preocupante. Portugal precisa de tirar peso à crise e não aumentá-lo, que foi o que isto gerou. Portugal precisa, o mais rapidamente possível, de sair desta crise», afirmou António Saraiva.

«Portugal precisa de estabilidade política e de estabilidade social. A estabilidade social tem sido conseguida, apesar da situação difícil», acrescentou.

Para o representante dos patrões, «o Governo precisa compatibilizar a necessária austeridade com políticas que promovam o investimento, que é fundamental para o crescimento».

«Não está em causa a política de consolidação orçamental, mas o tempo para a conseguir fazer. A troika não nos pode pedir que façamos em dois anos aquilo que demora sete a oito anos a fazer. Tem de haver flexibilização das metas do défice», acrescentou.

«O Governo também tem de ter voz firme na União Europeia», já que muitas das decisões importantes são tomadas ao nível da Europa, que tem perdido competitividade no jogo da globalização.

«É também crucial que o Governo faça a reforma da Administração Pública e faça a reforma fiscal dotando-a de estabilidade em termos fiscais por um período longo, 10 a 12 anos, de forma a promover o investimento», afirmou António Saraiva, acrescentando que, «na reforma da Administração Pública, é fundamental diminuir a despesa para se conseguir aliviar a carga fiscal» em Portugal.

«Ao contrário do que se passa com esta crise, o Governo devia estar a remover os obstáculos ao nosso desenvolvimento», concluiu.