O presidente da Confederação da Indústria Portuguesa (CIP), António Saraiva, espera que a saída de Vítor Gaspar do Ministério das Finanças seja uma oportunidade para o Governo alterar políticas e conciliar austeridade com crescimento.

«Mais importante do que as pessoas são as políticas e, nesse sentido, aquilo que desejo - que espero - é que a saída do ministro Vítor Gaspar seja uma oportunidade para que o Governo mude de políticas e concilie finalmente austeridade e crescimento económico», afirmou António Saraiva à Lusa, que disse não estar surpreendido com a saída do ministro.

Sem querer pensar que a substituição de Vítor Gaspar por Maria Luís Albuquerque possa significar uma continuidade de políticas, o dirigente patronal sublinhou que o anúncio de hoje é um recentrar «de responsabilidade na pessoa do primeiro-ministro», que «terá agora uma responsabilidade política acrescida a nível das políticas financeiras».

«Se não alterarmos políticas, se não conseguirmos realizar políticas que gerem algum crescimento económico para ir compatibilizando com a austeridade, com a consolidação orçamental e com o rigor a que estamos obrigados não resolvemos os nossos problemas», declarou António Saraiva.

O Presidente da República aceitou hoje a exoneração do ministro de Estado e das Finanças, Vítor Gaspar, e a sua substituição por Maria Luís Albuquerque, até agora secretária de Estado do Tesouro, propostas pelo primeiro-ministro.

Esta informação foi divulgada na página da Presidência da República na Internet, na qual se lê que Vítor Gaspar foi exonerado «a seu pedido» e que Maria Luís Albuquerque será nomeada «para o mesmo cargo».

Maria Luís Albuquerque vai tomar posse na terça-feira, às 17:00, no Palácio de Belém.

Esta foi a segunda saída de um ministro do XIX Governo Constitucional, depois da demissão de Miguel Relvas do cargo de ministro-adjunto e dos Assuntos Parlamentares, em abril deste ano.

Com a exoneração de Vítor Gaspar caem automaticamente os restantes secretários de Estado do Ministério das Finanças: Luís Morais Sarmento, secretário de Estado do Orçamento, Manuel Rodrigues, secretário de Estado das Finanças, Paulo Núncio, dos Assuntos Fiscais, e Hélder Rosalino, da Administração Pública.

Também as confederações do Turismo e da Agricultura esperam que esta troca no Executivo sirva para alterar as políticas. Uma esperança partilhada pelas centrais sindicais, ainda que, para a CGTP, Maria Luís Albuquerque seja uma escolha desadequada, dado o seu envolvimento na polémica dos swaps.