O presidente da Confederação Empresarial de Portugal (CIP), António Saraiva, disse esta segunda-feira que as declarações do ministro dos Negócios Estrangeiros sobre um segundo resgate foram «inoportunas» e apelou à «moderação» do Governo neste tipo de afirmações.

Rui Machete afirmou, no domingo, na Índia, onde se encontra numa reunião de chefes da diplomacia da Europa e da Ásia, que um segundo resgate seria «evitável» desde que as taxas de juro a 10 anos igualem ou fiquem abaixo dos 4,5%.

«É uma declaração uma vez mais inoportuna. Se há coisas que os mercados exigem é moderação e bom senso», afirmou António Saraiva, à margem de um encontro de reflexão sobre o Orçamento de Estado para 2014, sublinham que as declarações «pecam por alguma falta de sensibilidade».

O dirigente da confederação patronal aconselhou «mais moderação por parte de membros do governo neste tipo de afirmações» e notou que «a realidade é sempre mais perversa do que as expectativas».

António Saraiva salientou que estas afirmações criam confusão quanto ao que se seguirá no próximo ano - programa cautelar ou segundo resgate -, mas considerou que o essencial «era um desenho diferente do programa de ajustamento que permitisse aos portugueses gerar crescimento económico, combater eficazmente o desemprego e não sufocar tanto os portugueses».