O economista e presidente da consultora para o desenvolvimento Quaternaire Portugal, António Figueiredo, defendeu esta sexta-feira a subida do salário mínimo nacional «já», como alternativa ao «embaratecimento da força de trabalho».

«Sou um adepto óbvio da subida do salário mínimo já», porque o país precisa deste «instrumento exógeno para incluir algumas alterações» ao atual modelo de desenvolvimento, baseado em várias vertentes, como o «embaratecimento da força de trabalho», disse.

António Figueiredo falava na primeira edição das Conferências de Aljustrel - Cidadania, Inovação e Território, a decorrerem hoje e sábado naquela vila do Baixo Alentejo para debater os desafios do desenvolvimento.

Segundo António Figueiredo, a Europa está a atravessar três crises, a crise do modelo de afetação de recursos, a crise financeira internacional e a «desastrosa abordagem às crises das dívidas soberanas no edifício do euro», que «não está preparado para situações de stresse».

Uma situação que «está a gerar um modelo de desenvolvimento oculto», que «não está democraticamente escrutinado» e tem várias vertentes, sobretudo o embaratecimento da força de trabalho, o empobrecimento de largas franjas da população, o agravamento das desigualdades e a fratura do país, nomeadamente em «almofadados e não almofadados, novos e velhos», afirmou.

Segundo António Figueiredo, a alternativa àquele modelo deve «assentar em algumas linhas estratégicas essenciais», como a «continuidade imperiosa da melhoria de qualificações» do capital humano do país, «inovação e conhecimento para responder ao estímulo da progressão salarial», a subida do salário mínimo nacional e «escolhas públicas sensatas».

«Atendendo às não sensatas opções públicas da década anterior, temos que ter escolhas públicas sensatas, centradas nas almofadas sociais, obviamente, e libertar recursos de investimento público para potenciar a transição, não para potenciar infraestruturas levadas ao extremo», defendeu.