O PS escolheu as questões económicas e sociais para abrir o debate quinzenal desta sexta-feira com o primeiro-ministro. António Costa aproveitou os temas escolhidos para elogiar o trabalho levado a cabo pelo seu próprio Governo e que “conseguiu o mais baixo défice dos últimos 42 anos”. Mas não só. O PSD foi um alvo e foi acusado de "não contar nada" para o país. Passos aguentou-se e contra-atacou só no fim do seu frente-a-frente com o chefe de Governo.

Os números do défice, do crescimento e do desemprego são, para o primeiro-ministro, a prova de que é possível mais com menos. 

“O que o ano de 2016 demonstrou é que possível ter mais emprego, melhores condições de vida com menos défice”, afirmou aplaudido pelas bancadas da esquerda na Assembleia da República.

Lembrou que as políticas de emprego eram uma das prioridades do executivo e usou números para mostrar o "sucesso": "menos 60 mil desempregados e mais 80 mil empregados". Para este ano, quis deixar claro, a aposta será o investimento: "público e privado". E, por isso, o próximo Orçamento já prevê, por exemplo, "mais 20% de investimento público".

Disse mesmo que que o Governo vai acabar com a "diabolização" do investimento em estradas e que, no início de fevereiro, lançará um programa de melhoramento das ligações entre as zonas empresariais e as grandes autoestradas.

"Haverá em 2017 um aumento do investimento público na ordem dos 20% e uma aceleração dos investimentos com fundos comunitários. Vamos fazer chegar às empresas mais do dobro do que no ano passado, ou seja, mil milhões de euros", disse, antes de sustentar que os investimentos autárquicos e de desenvolvimento rural vão também conhecer "significativos" aumentos.

Na resposta às questões colocadas pelo deputado independente do PS, Paulo Trigo Pereira, António Costa também não deixou escapar a oportunidade de, mais uma vez, "atacar" o PSD que acusou de "não contar para nada relativamente ao pais".

Relembrando o que aconteceu com a descida da TSU e a postura política do PSD, o primeiro-ministro considerou que fizeram "intriga política".

"Quis fazer um exercício de intriga politica, procurando sinalizar que não podemos contar com o PSD, mas verdadeiramente o que o PSD conseguiu demonstrar é a sua irrelevância e que o PSD simplesmente não conta para nada relativamente ao país", disse. "Pelo contrário, se o país dependesse do PSD, os salários continuavam a não subir e a carga fiscal continuava a não diminuir", acrescentou.

Em jeito de conclusão, ressalvou que os sociais-democratas também não contam porque a "intriga política" falhou em outros aspetos:

"Não conta também porque a intriga falhou, quiseram minar a concertação social e pôr em causa a maioria parlamentar, mas em menos de 24 horas foi possível encontrar uma solução alternativa, que tem o apoio dos parceiros na concertação social, e dos parceiros desta maioria"
 

Passos, que primeiro disparou críticas ao Governo em relação ao défice, deixou a questão política para o fim. Mas ergueu bem a voz, mostrou estar enervado e foi acompanhado pela sua bancada, que apupou o primeiro-ministro.

O que vem aqui fazer é pedir responsablidade ao PSD quando o Governo é que falhou. Conte mesmo que o PSD está na oposição, nem para fazer a dívida fácil ao Governo, nem para substituir o BE e o PCP. Conte por princípio com a nossa oposição, que foi onde o senhor nos pôs. Quando quiser negociar, primeiro peça, tenha humildade democrática".

 

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