O primeiro-ministro, António Costa, defendeu esta terça-feira que, com a crescente relevância da segurança energética, o porto de Sines poderá ser a principal porta de entrada das exportações norte-americanas de gás natural liquefeito para o mercado europeu.

António Costa falava no final de um almoço/conferência promovido pela Associação de Amizade Portugal Estados Unidos, em Lisboa, num momento em que abordava a questão da segurança energética na Europa, dependente sobretudo do gás natural proveniente do leste (Rússia) e do norte de África.

O primeiro-ministro considerou que os portos nacionais estão numa importante posição geográfica, situando-se na confluência de três importantes rotas marítimas: a africana, a mediterrânica e a transatlântica.

Essa característica, de acordo com o líder do executivo, "tem despertado o interesse na cooperação com os Estados Unidos, em particular na área da segurança energética".

O número de terminais de GNL (gás natural liquefeito) tem vindo a crescer nos Estados Unidos, numa clara indicação de que a capacidade norte-americana de exportação deste recurso venha a aumentar exponencialmente no futuro", disse.

Ora, segundo o primeiro-ministro, o porto de Sines dispõe de potencial para servir de "ponto intermédio para outros portos na Europa e em África".

Os dois países emitiram mesmo uma declaração conjunta, no ano passado, a sublinhar a importância estratégica do porto de Sines como ‘hub' atlântico de GNL e da relação Portugal-Estados Unidos na promoção do GNL marítimo como fator de reforço da diversificação da segurança energética europeia, de melhoria do desempenho ambiental do transporte marítimo e de reforço da sustentabilidade da economia azul, com uma indústria geradora de empregos qualificados e inovação tecnológica", referiu António Costa.

O primeiro-ministro completou, ainda que o porto de Sines "recebeu o primeiro transporte de GNL para a Europa em abril de 2016", esperando-se que se mantenha como "um destino importante para o GNL norte-americano".

América "de costa a costa"

O primeiro-ministro anunciou ainda que visitará os Estados Unidos, "de costa a costa", entre os dias 10 e 16 de junho, numa deslocação em que assumiu como objetivo prioritário a renovação da parceria estratégica entre os dois países.

António Costa começou por referir que participará com o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, nas comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas que vão começar nos Açores e que se estenderão depois a Boston.

Atravessarão este ano esse oceano que nos une, proporcionando-nos um momento simbólico único para celebrarmos a nossa aliança e uma longa história partilhada", disse.

António Costa detalhou depois que o programa nos Estados Unidos incluirá passagens por Boston, Providence, estas com o chefe de Estado, mas, depois, também, por São Francisco, Sacramento, Newark e Nova Iorque.

De costa a costa, manterei contactos com as comunidades portuguesas que prolongam o nosso país por diferentes partes do território norte-americano, manterei um extenso programa de contactos com empresas e instituições financeiras na Califórnia e em Nova Iorque. Em todos os lugares procurarei apresentar aos nossos parceiros norte-americanos a face moderna de Portugal", salientou o primeiro-ministro.