Ao otimismo de António Costa, que voltou a dizer, no primeiro debate quinzenal depois das férias, que o défice ficará "com conforto" abaixo dos 2,5% do PIB, o líder da oposição Passos Coelho vai buscar comparações ao futebol. 

O senhor faz um exercício semelhante aos treinadores que pretendem animar as suas equipas, face aos resultados medíocres, quando dizem 'ainda não foi desta fez, vai ser para a próxima'". 

Retribuindo os votos de que daqui a um ano as coisas estejam melhores, o líder do PSD ironizou desejando que "o Governo seja mais efetivo nas metas a alcançar". "Sei que é amigo de impossíveis e de pôr vacas a voar", disse, aludindo à oferta que Costa fez à ministra da Modernização Administrativa, em maio, durante a apresentação do Simplex. Mas em nada acredita no primeiro-ministro.

"O seu colega [José Sócrates], primeiro-ministro na altura, também o dizia em 2010. É muito parecido consigo, não demorou a propor o aumento dos impostos, o corte do ivesimento público e o Governo seguinte teve de limpar a casa. Uma coisa lhe garanto: esta parte da limpeza será o senhor a fazer".

Costa respondeu que tem "muito gosto em fazer limpezas e resolver problemas que os outros deixam". "Não quero é deixar casas desarrumadas para que os outros possam fazer o seu trabalho", advogou.

Ora, antes, tinha lembrado que "da Comissão Europeia à UTAO, da OCDE ao Conselho de Finanças Públicas", todas estas entidades preveem um défice "claramente abaixo dos 3% do PIB" este ano.

"E com conforto estamos confiantes de que ficará mesmo abaixo de 2,5% do Produto [Interno Bruto]"

Esta é também uma resposta aos receios do FMI apontados hoje, ao considerar a meta "difícil de atingir". Foi precisamente essa palavra, mas em advérbio de modo, que utilizou há dias, quando disse que ia ficar "confortavelmente" abaixo desse patamar. A meta do Governo  inscrita no Orçamento do Estado para 2016 e no Programa de Estabilidade é, recorde-se, 2,2%.

E na resposta a Passos, concordou com a imagem do treinador de futebol: "Sim, a minha missão é motivar a minha equipa".

Para Costa, o caminho que decidiu percorrer "não era impossível, pelo contrário, tem sido possível". Deu como exemplo a população empregada, que "aumentou atingindo níveis que não conhecíamos há vários anos".

Afirmou estar a "cumprir a alternativa" - o seu slogan na campanha eleitoral - "contrariando todos os catastrofismos semanais de quem já nada tem para oferecer ou para dar a não ser esperar falhanço do país. E esse falhanço que não virá", prometeu.

Dez meses depois de ter formado Governo, diz que está "de olhos postos no futuro" e daqui a um ano quer estar a discutir um país com mais crescimento emprego e igualdade.