O primeiro-ministro garante, à semelhança do ministro das Finanças, que a recapitalização da Caixa Geral de Depósitos "não atinge défice nenhum". Mário Centeno admitiu ontem que será preciso um orçamento retificativo, porque há impacto na dívida e António Costa veio esta quinta-feira dizer que, apesar disso, não vêm aí quaisquer medidas adicionais.

Assim, quanto ao Orçamento de 2016 os portugueses podem estar "definitivamente tranquilos e confiantes", que o défice vai ser cumprido "sem planos B, sem medidas adicionais, sem dramas".

A recapitalização "não atinge défice nenhum". "Em primeiro lugar porque, como sabe, quando foi tomada a decisão sobre a não aplicação de sanções foi dito que o défice deste ano deve ser 2,5% sem que qualquer tipo de apoio ao sistema bancário seja contabilizado para esse fim. Portanto, não é contabilizado para efeitos de défice", declarou aos jornalistas no final do Encontro de Líderes Socialistas Europeus, no Palácio de La Celle Saint-Cloud, nos arredores da capital francesa.

Se a Caixa falisse, cairia certamente, violentamente em cima dos contribuintes portugueses, em cima dos depositantes da Caixa, em todos aqueles que precisam de ter confiança no nosso sistema financeiro"

O chefe de Governo sublinhou que "o Estado pega em dinheiro seu para reforçar um banco que também é seu", ao contrário do passado em que "o Estado com o seu dinheiro apoiou bancos privados, bancos de outros".

Ao contrário do que nos tinha sido dito durante quatro anos, que não era possível fazer isto sem privatizar a Caixa - ou sem pelo menos privatizar parte da Caixa - a verdade é que como vimos foi possível. (…) Demonstrámos que era uma boa solução e a Comissão Europeia reconheceu isso”

 

Lembrou, a esse propósito, "a questão das sanções em que a mesma Comissão Europeia reconheceu serem injustas “pelo facto de o anterior governo não ter cumprido os objetivos do défice de 2015". Está confiante que o défice deste ano fique abaixo dos 2,5% e destacou a "situação estável" no relacionamento com a União Europeia e com a Comissão Europeia. 

"Não haverá despedimentos massivos"

Costa defendeu, igualmente, que a recapitalização da CGD serve para garantir que "quem tem depósitos na Caixa pode estar confiante nos seus depósitos, que quem faz negócios com a Caixa pode estar confiante nos negócios".

Daí ser preciso, agora, concentrar-se "naquilo que é essencial: criar as melhores condições para que o investimento aumente" e "para isso, a aceleração da gestão dos fundos comunitários é imprescindível".

Sobre os trabalhadores do banco, o primeiro-ministro reiterou que há "um plano a dois anos que prevê a redução em dois anos do número de funcionários, sobretudo através da existência de reformas, ou de reformas antecipadas ou de negociações em poucos casos de mútuo acordo".

Não haverá despedimentos massivos, não haverá nada disso, será uma situação que será feita com tranquilidade, com serenidade para que a Caixa cumpra as melhores condições de modo a que possa ser cada vez um banco mais forte, um banco em que cada vez mais portugueses possam confiar e que possa continuar a ser o grande pilar do nosso sistema financeiro"