A chanceler alemã, Angela Merkel, está disposta a aceitar que a Grécia deixe a Zona Euro, caso os gregos escolham um Governo que mude a política de austeridade vigente no país, noticia este domingo o semanário alemão «Der Spiegel».

A reportagem do jornal, que cita fontes próximas ao Governo alemão, é publicada num momento em que, a três semanas de eleições antecipadas na Grécia, as sondagens de intenção de voto indicam a vitória de um partido de esquerda. O partido Syriza, de Alexis Tsipras, prometeu reverter as reformas impostas pelos credores internacionais e renegociar o acordo de ajuda à Grécia com a UE e o Fundo Monetário Internacional (FMI).
 

«O Governo alemão considera ser quase inevitável uma saída do país da Zona do Euro, se o líder da oposição Alexis Tsipras assumir o Governo após a eleição, abandonar a disciplina orçamentária e deixar de pagar as dívidas do país», avança o «Der Spiegel» na versão online.
 

De acordo com o jornal, tanto Angela Merkel como o ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schäuble, terão passado a considerar uma possível saída da Grécia da Zona Euro de forma menos dramática. Ambos acreditam agora que as consequências seriam «suportáveis», devido aos progressos da Zona Euro desde o auge da crise, em 2012.
 
A recuperação de outras economias antes problemáticas, como a Irlanda e Portugal, a criação de um fundo permanente de resgate da Zona Euro e a criação de uma união bancária reforçam a certeza do Governo alemão de que um contágio por uma nova crise grega tenha alcance limitado, refere o «Der Spiegel».
 
O Parlamento da Grécia foi dissolvido na quarta-feira depois de os deputados não conseguirem escolher um sucessor para o Presidente Karolos Papoulias, após três votações sucessivas.
 
A dissolução do Parlamento obrigou a convocação de eleições antecipadas para 25 de Janeiro.