[Notícia atualizada às 14h30]

A chanceler alemã Angela Merkel garantiu esta terça-feira, em Berlim, após um encontro com o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho, que a Alemanha apoiará Portugal qualquer que seja a forma que o Governo escolha para sair do programa de assistência financeira.

Numa conferência de imprensa conjunta na chancelaria federal, após um almoço de trabalho de cerca de uma hora que foi dominado pela conclusão do programa de assistência a Portugal - prevista para 17 de maio -, Passos Coelho indicou que teve oportunidade de comunicar à chanceler que o Governo «não tomou ainda uma decisão quanto aos termos em que irá sair desse programa», tendo Merkel afirmado que compreende que Portugal espere até mais perto da data para decidir.

«É uma decisão que cabe ao Governo português e será tomada mais perto da altura, até porque sabemos como as coisas estão constantemente a mudar (...) Compreendo muito bem que o primeiro-ministro diga que vai decidir quando for altura de decidir, e a Alemanha apoiará qualquer decisão que o Governo tomar. Nós sempre apoiámos Portugal e vamos continuar a fazê-lo. E vamos esperar pela altura em que a decisão vai ser tomada, mas penso que o contexto é muito positivo», declarou Angela Merkel.

A chanceler insistiu que «Portugal está no bom caminho», com «um crescimento melhor que o previsto» e que «é mérito de quem levou a cabo as reformas», num contexto que admitiu ser difícil para os cidadãos mas que, sustentou, começa a produzir frutos.

«Estou de facto muito impressionada. Portugal passou por reformas muito profundas, com grandes dificuldades e encargos para todas as pessoas no país, mas hoje podemos dizer que vemos sinais de crescimento e os indicadores económicos são muito positivos», disse, acrescentando ter, por isso, «o maior respeito pelo que tem sido feito em Portugal».

Quanto ao pós-troika, disse que a grande prioridade, inclusivamente no apoio que deve ser prestado a Portugal, também a nível europeu, é o de «criar emprego e combater o desemprego jovem», manifestando-se confiante de que, em breve, também o mercado de trabalho vai sentir os efeitos do crescimento económico.

Também Passos Coelho realçou o que classificou como os progressos feitos ao longo dos últimos anos, apontando que teve oportunidade de «salientar à chanceler Merkel» que Portugal conseguiu «uma mudança estrutural na economia portuguesa, que é hoje muito atrativa para o investimento estrangeiro, e que já proporciona uma perspetiva de crescimento económico quer para este ano, quer para os anos seguintes, que é uma perspetiva muito positiva quer para o crescimento sustentado quer para a criação de emprego».

O primeiro-ministro sustentou que Portugal também tem conseguido corrigir as contas públicas - sendo mesmo, «de todos os países que conheceram programas de assistência financeira», aquele que «conseguiu um resultado em termos de défice mais favorável».

Quanto à saída do programa, disse que há «boas perspetivas», embora o Governo ainda não tenha decidido se optará por uma saída «limpa» - sem qualquer apoio, como fez a Irlanda, em dezembro último - ou com uma linha de crédito cautelar.

«Mas evidentemente que é muito importante que hoje nos estejam a perguntar como é que nós vamos sair, e não se precisamos ou não de um outro programa, e isso faz toda a diferença», declarou.