O presidente da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP) afirmou que a supressão dos quatro feriados não beneficiou a produtividade das empresas, considerando que a medida foi aplicada para agradar à chanceler alemã, Angela Merkel.

“A CCP nunca valorizou muito esta questão dos feriados como um elemento importante para a produtividade. Nessa altura a questão foi colocada um pouco politicamente porque havia aquelas declarações da senhora Merkel que dizia que no Sul da Europa não se trabalhava, e consideramos isso errado, até porque a Alemanha tem mais feriados que Portugal”, disse João Vieira Lopes, à agência Lusa.

O presidente da CCP lembrou a posição assumida pela confederação aquando da discussão do acordo de Concertação Social, que acabou por ser assinado entre o Governo, associações patronais e UGT em janeiro de 2012, segundo a qual teria mais impacto para a produtividade das empresas juntar os feriados aos fins-de-semana, acabando com as pontes.

“A nossa postura foi sempre a de que preferíamos que para aumento da produtividade se seguisse uma política diferente como seguem alguns países que juntam os feriados à segunda-feira, ou à sexta-feira, de maneira a acabar com as pontes, pois achamos que isso era mais produtivo do que acabar com dois ou três feriados”, referiu Vieira Lopes.

Questionado sobre se esta supressão dos quatro feriados teve impacto ao nível da produtividade das empresas, o presidente da CCP respondeu negativamente.

“Não se notou qualquer alteração significativa. Quer para o comércio e serviços, quer para a economia em geral”, declarou.

Os líderes parlamentares concordaram hoje em adiar a discussão e votação na generalidade dos projetos de vários partidos para a reposição de feriados para data incerta mas a marcar depois da consulta pública do tema.

De acordo com o porta-voz da conferência de líderes, o deputado social-democrata Duarte Pacheco, os textos "vão ser reagendados" mas só após a consulta pública da matéria, sendo que esta ainda não tem data para começar porque apenas agora foram empossadas as comissões parlamentares, e será a partir daí que o processo avançará.

Todos os partidos tinham previsto levar na sexta-feira ao plenário da Assembleia da República iniciativas legislativas para a reposição de feriados.

Em 2012, com efeitos a partir de 2013, o Governo suprimiu quatro feriados: dois religiosos, o de Corpo de Deus em junho (feriado móvel), e o dia 01 de novembro, dia de Todos os Santos, e dois civis, 05 de Outubro, Implantação da República, e no 1.º de Dezembro, Restauração da Independência.