A emissão de novas matrículas nos primeiros quatro meses do ano aumentou 21,2% face ao mesmo período de 2015 devido sobretudo à antecipação de vendas anteriormente à entrada em vigor do aumento do ISV, o que preocupa a ANECRA.

Segundo dados fornecidos à agência Lusa pela Associação Nacional das Empresas do Comércio e da Reparação Automóvel (ANECRA), foram emitidas 86.725 novas matrículas entre janeiro e abril deste ano, mais 21,2% do que as 71.549 emitidas no mesmo período do ano passado.

De acordo com os dados da associação, o grande aumento da emissão de matrículas ocorreu nos veículos pesados, que subiram de 1.223 para 1.652 (35,1%), seguidos dos ligeiros de passageiros, que aumentaram de 61.244 para 74.412 (21,5%), e, por fim, dos comerciais ligeiros, que avançaram de 9.082 para 10.661 (17,4%).

O secretário-geral da ANECRA, Jorge Neves da Silva, disse que o crescimento das matrículas emitidas no primeiro quadrimestre deste ano “tem a sua génese na expectativa - que foi concretizada - do aumento do Imposto Sobre Veículos (ISV)”, ou seja, as empresas anteciparam a emissão de matrículas para os primeiros quatro meses, podendo baixar o preço de venda ao consumidor final todo o ano.

“Não podemos confundir a atividade do setor em termos reais das empresas concessionárias, diretamente ao mercado, com vendas efetivas. Temos de pensar que tudo o que estamos a falar é emissão de matrículas. É muito diferente”, disse Jorge Neves da Silva.

Nesse sentido, o secretário-geral da ANECRA receia um “adormecimento da emissão de matrículas” no segundo semestre do ano, que se esbata a pouco e pouco o crescimento que se estava a constatar” nos primeiros quatro meses.

“Vai-se atenuar pouco a pouco a emissão de matrículas nestes próximos meses, porque ainda há ‘stock’ para venda. A expectativa que ainda existe é de emitir cada vez menos matrículas, porque na realidade a perspetiva de procura é diferente”, afirmou.

De acordo com os dados da associação, a receita que o Estado arrecadou com o ISV em março de 2016 representou 55,2 milhões de euros, quando no mesmo mês do ano passado foi de 45,4 milhões de euros.

“Eu não sei até que ponto é que no segundo semestre e ao fim do ano vamos assistir à manutenção de um crescimento sustentado, ainda que permita dizer que vamos arrecadar um volume de receita em sede de ISV francamente superior àquele que ocorreu no ano anterior”, disse, interrogando-se: “Até que ponto é que a normalização da procura fará com que o volume de venda seja cada vez menor no resto do ano e não se possa correr o risco de dizer que afinal de contas o Governo deu um tiro no pé”?

No Orçamento do Estado para 2016 (OE2016), o Governo prevê que a receita em sede de ISV atinja os 660,6 milhões de euros, mais 15,2% face aos 573,4 milhões arrecadados em 2015.

O documento definiu um aumento do ISV em 3% na componente cilindrada e entre 10% e 20% na componente ambiental, que só entrou em vigor a 31 de março, com a publicação em Diário da República.

Estas preocupações - bem como a idade do parque automóvel e a redução dos incentivos ao abate - estiveram em debate no encontro empresarial do setor automóvel em Leiria.