O diretor da sociedade de risco SaeR, José Poças Esteves, afirmou hoje que o novo quadro político e económico internacional poderá favorecer os partidos que sustentam o Governo nas próximas eleições legislativas, marcadas para outubro.

O responsável da Sociedade de Avaliação Estratégica e Risco (SaeR), que apresentou o relatório trimestral, disse que «Portugal pode ser um dos grandes beneficiados da nova conjuntura, das novas forças da geopolítica e da economia internacional», podendo «entrar, não numa fase de bonança, mas de quase bonança».

Poças Esteves adiantou que «este novo quadro vai favorecer o Governo», sendo que «do lado da oposição» ter-se-á «de criar argumentos que a possa favorecer».

Para o diretor da SaeR, o financiamento do Banco Central Europeu, através do programa de «quantitative easing» [os programas de compra de dívida pública], a redução do preço do petróleo, a possível flexibilização orçamental por parte da Europa, o plano do novo presidente da Comissão Europeia e renovação dos fundos europeus (Portugal 2020) são contributos positivos para a recuperação da economia portuguesa, alertando, no entanto, que apesar de aparentemente o Governo sair favorecido «nada fez por acontecer, mas sim por fatores exógenos».

Segundo Poças Esteves, «o impacto da redução dos preços do petróleo é muito significativo na economia portuguesa, no sentido de criar mais dinheiro e, portanto, aumentar o consumo». Além disso, esta situação vai «reduzir significante a pressão balança de pagamentos e consequentemente sobre o défice», acrescentou.

As negociações do Governo grego com a Europa será também para Portugal um lado positivo. Poças Esteves está convencido que haverá acordo e que este passará por uma flexibilização orçamental, retirando alguma pressão sobre o país.

A juntar a isto, o plano Juncker e ainda o Portugal 2020, o novo ciclo de programação dos fundos europeus, que substitui o antigo QREN (Quadro Estratégico de Referência Nacional), e permitirá a Portugal receber mais de 25 mil milhões de euros até 2020.

O consultor adiantou ainda que há alguns riscos, «nomeadamente Angola e Brasil, que vão ser prejudicados com este processo». Por isso «deve-se acautelar e preservar o relacionamento obtido com Angola, num contexto em que esta poderá ser afetada severamente com a quebra do preço do petróleo».