A Autoridade Nacional de Comunicações (Anacom) registou 12.416 reclamações sobre o serviço postal prestado pela empresa CTT – Correios de Portugal em 2017, um aumento face a 2016 e quase o dobro do registado em 2015, anunciou hoje o regulador.

Considerando os dados [provisórios] do segundo semestre, há um aumento do número de reclamações” sobre os CTT, revelou o presidente da Anacom, João Cadete de Matos, que falava numa audição na comissão parlamentar de Economia, Inovação e Obras Públicas sobre a situação da empresa.

Dados do regulador divulgados no encontro demonstram um total de 12.416 queixas no ano passado. Em 2016, o total foi de 8.934 e, em 2015, foi de 6.890.

Face a 2015 quase duplicou”, observou João Cadete de Matos.

Segundo o responsável, a maior parte (27,1%) das reclamações verificadas no ano passado dizem respeito ao atendimento ao cliente (quanto à acessibilidade e condições), seguindo-se a área da distribuição.

No primeiro semestre de 2017, verificaram-se, assim, 1.186 reclamações sobre o atendimento ao cliente, 750 sobre extravio, 579 sobre falhas de entrega no domicílio, 533 sobre falhas na distribuição e 494 sobre atrasos na entrega.

Tendo por base a evolução dos indicadores de qualidade nos últimos anos, João Cadete de Matos destacou apenas “um incumprimento, que justificou uma penalização” da Anacom em 2016, relativamente à não entrega do correio normal até 15 dias úteis.

O responsável notou que essa penalização se traduziu numa “compensação do preço”.

Já os indicadores relativos à demora no encaminhamento do correio azul e do correio normal têm atingido os objetivos previstos no contrato, demonstram os dados do regulador.

No que toca ao tempo de espera, tem vindo a aumentar, notou o presidente da Anacom, assinalando ainda que o indicador global sobre a qualidade do serviço “tem vindo a degradar-se”.

Na quinta-feira, a Anacom divulgou 24 novos indicadores de serviço dos CTT até 2020 (prazo determinado para a concessão), visando garantir um “maior nível de qualidade do serviço postal universal”, através de “metas mais exigentes”, como uma “meta de fiabilidade que deverá ser cumprida em 99,9% dos casos”.

A diferença, segundo o regulador, é que passa a ser “obrigatório o cumprimento do valor do objetivo fixado para cada indicador”, enquanto se estabelecia um limiar mínimo.

No que toca aos preços, só sofrerão alterações em 2019 e 2020, altura na qual deverão ser atualizados em função do valor da inflação deduzido de 1,28 pontos percentuais.