Os quatro parques de estacionamento privados contíguos ao Aeroporto do Porto admitem contestar judicialmente as novas regras de acesso automóvel instituídas pela ANA na largada e tomada de passageiros, acusando a concessionária aeroportuária de os pretender anular enquanto concorrentes.

“Estamos os quatro junto de gabinetes de advogados a procurar soluções para lutar contra isto. Para chegar a bom porto infelizmente temos que recorrer à justiça”, afirmou o responsável pelo Low Cost Parking, Miguel Seguro, em declarações à agência Lusa.

A Lusa tentou ouvir a administração da ANA – Aeroportos de Portugal, mas tal não foi possível em tempo útil.

Em causa estão as novas regras para o acesso automóvel às zonas de tomada e largada de passageiros do Aeroporto do Porto, que desde terça-feira passou a ser controlado por um sistema de cancelas e pago se excedido um tempo de permanência da viatura superior a 10 minutos.

De acordo com a ANA, “todos os utilizadores particulares que pretendam deixar/ir buscar passageiros ao aeroporto têm direito a 10 minutos grátis”, mas a partir deste limite a permanência da viatura passa a ser taxada.

Segundo salienta, o objetivo deste sistema ‘Kiss & Fly’ é tornar “mais tranquila, mais cómoda e mais rápida a experiência de ir levar ou buscar alguém ao aeroporto do Porto”, ao permitir aos utilizadores parar mesmo junto ao terminal mas, para “desincentivar o uso intensivo do ‘curbside’” e os congestionamentos daí decorrentes, a terceira e as seguintes paragens diárias naquelas zonas já passam a ser pagas.

Contudo, para os proprietários dos parques de estacionamento contíguos ao aeroporto - que se apresentam como ‘low cost’ (de baixo custo) por praticarem tarifas inferiores às dos parques próprios do aeroporto e que incluem nos preços cobrados um serviço de ‘shuttle’ entre o estacionamento e os terminais de partidas/chegadas - este limite de passagens diárias foi, contudo, criado com o único objetivo de inviabilizar a sua atividade.

“Esta regra foi feita para as empresas de estacionamento ‘low cost’ que há aqui no aeroporto, porque mostramos que é possível fazer mesmo serviço que eles têm a um preço bastante inferior”, afirmou o responsável pelo Low Cost Parking.

É que, sustentou Miguel Seguro, embora o sistema ‘Kiss & Fly’ seja aplicado em diversos aeroportos da Europa e do mundo, o facto é que ali não existem condicionamentos ao número de passagens diárias, mas apenas ao tempo de permanência dos veículos junto aos terminais.

Especificando que a afluência diária de clientes à Low Cost Parking implica uma média de 140 passagens diárias frente aos terminais de partidas e chegadas do aeroporto, Miguel Seguro salienta que, com as novas regras de acesso, tal implica um custo aproximado de 1.500 euros por dia.

Um valor “incomportável” que inviabilizaria a operação da empresa, que desde terça-feira tem optado por levar os clientes até um local alternativo, mais distanciado do terminal, mas admite que se trata de uma solução “provisória” que “não é confortável” para os utilizadores.

Também em declarações à Lusa, Bruno Marques, da Parking4you – parque que opera a cerca de 150 metros do Aeroporto do Porto – reclama da ANA a aplicação à sua empresa de “pelo menos” um regime semelhante ao criado para os serviços de ‘rent a car’ e para ‘shuttles’ dos hotéis, que pagam uma avença anual para terem acesso ao ‘curbside’.

“Chegámos a falar com a ANA sobre o assunto pelo telefone, mas não consigo marcar uma reunião para falar com alguém sobre isto. Fomos completamente excluídos desta situação e embora a ANA diga que é para que o trânsito flua melhor, é tudo uma questão monetária”, disse.

Em operação desde abril de 2013, a Parking4you dá emprego a 15 pessoas e opera com duas carrinhas de transporte de pessoas entre o parque e o aeroporto, enquanto a Low Cost Parking iniciou a atividade há cinco anos, dispondo de 30 trabalhadores e três ‘shuttles’.