A coordenadora da Frente Comum de Sindicatos da Função Pública considerou esta sexta-feira que as propostas governamentais do Programa de Estabilidade são «mais do mesmo» e defendeu que os salários cortados aos trabalhadores devem ser repostos no imediato.

«Acho que é mais do mesmo. O que o Governo tem de fazer é devolver de imediato [os salários cortados] aos trabalhadores, porque o programa de ajuda ao país já acabou», disse à Lusa Ana Avoila.

Para a dirigente sindical, as medidas «não trazem nada de novo», com os trabalhadores, reformados e pensionistas a continuarem a «ser enganados».

«As medidas apresentadas na quinta-feira querem dizer apenas que a política de austeridade vai continuar e que o Governo continua a enganar as pessoas. Na prática, as medidas vêm trazer a mesma linha de empobrecimento que as anteriores», concluiu.

A ministra de Estado e das Finanças, Maria Luís Albuquerque, anunciou na quinta-feira que o Governo quer repor na totalidade em 2019 os salários cortados aos funcionários públicos e eliminar a sobretaxa de IRS no mesmo ano.

Na quinta-feira, a ministra das Finanças anunciou que o Governo propõe repor gradualmente, a um ritmo de 20% por ano (primeira reposição começou este ano), os salários na função pública, para que sejam pagos a 100% em 2019.

O governo pretende que a redução da sobretaxa de 3,5% em sede de IRS desapareça em 2019, uma medida que custará cerca de 190 milhões de euros anualmente.

Outra das medidas propostas é a redução da Contribuição Extraordinária de Solidariedade (CES), que atualmente se aplica às pensões acima de 4.611,42 euros, para metade, em 2016, e a sua eliminação em 2017.