A Frente Comum dos Sindicatos da Administração Pública classificou esta segunda-feira de «indecente» o aumento imposto pelo Governo dos descontos para a ADSE e acusou o executivo de estar a preparar a privatização deste subsistema de saúde.

«Embora o Governo não o queira admitir, é o caminho para a privatização da ADSE», disse a coordenadora da Frente Comum, Ana Avoila.

Falando aos jornalistas no final de um encontro de quase duas horas com o secretário de Estado da Administração Pública, José Leite Martins, a coordenadora da estrutura sindical afirmou que «a reunião correu mal» e que a Frente Comum rejeita «os argumentos deste Governo e deste secretário de Estado».

«Temos uma certeza: o Governo tem um decreto de lei que antecipa que a ADSE tem de se autofinanciar, ou seja, os trabalhadores têm de financiar a ADSE na totalidade em 2016 e das duas, uma. Ou quer fazer uma coisa diferente da atual ou encaminha-se para transformar a ADSE numa seguradora que mesmo sendo gerida pelo Estado não deixa de ser um serviço equiparado a um privado», declarou Ana Avoila.

A sindicalista lembrou que os descontos dos funcionários públicos já financiam o subsistema em cerca de 70% através dos descontos, cabendo ao Estado um financiamento de cerca de 30%.

«Na prática, a ADSE sustenta muitos empregos e há dinheiro que serve para pagar laboratórios, clínicas e hospitais privados. Não aceitamos, achamos que este aumento é indecente, com um argumento simplista que é o autofinanciamento», reforçou a sindicalista, citada pela Lusa.

As principais estruturas sindicais da Administração Pública foram hoje recebidas pelo secretário de Estado da Administração Pública para discutir o aumento de 2,5% para 3,5% dos descontos para os subsistemas de saúde dos funcionários públicos.

A Federação Sindical da Administração Pública (FESAP), presidida por Nobre dos Santos, exigiu ao Governo que a gestão do subsistema de saúde ADSE passe para os trabalhadores, cujos descontos rondam já os 70%, ficando o Estado com um encargo de 30%.

Já esta manhã, o Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado (STE), presidido por Maria Helena Rodrigues, acusou o Governo de querer acabar com a ADSE ao impor aos funcionários públicos um aumento de um ponto percentual, de 2,5% para 3,5%, nos descontos para este subsistema de saúde.

A proposta de aumento de 2,5% para os 3,5% dos descontos para os subsistemas de saúde dos funcionários públicos, dos militares e dos polícias foi aprovada em Conselho de Ministros no início do mês.

Na ocasião, o Governo referiu, em comunicado, que «esta alteração visa que os subsistemas de proteção social no âmbito dos cuidados de saúde sejam autofinanciáveis, isto é, assentes nas contribuições dos seus beneficiários, e tem por pressuposto o seu caráter voluntário, para onde evoluirão também o ADM [para os militares] e os SAD [para PSP e GNR]».