O antigo ministro da Economia do atual Governo Álvaro Santos Pereira afirmou hoje que a Europa «se arrisca a ter novamente ditaduras» se se insistir no caminho da «austeridade cega» e se não houver uma solução europeia.

«Se não tivermos uma solução europeia, arriscamo-nos a ter novamente ditaduras na Europa», afirmou hoje Santos Pereira numa conferência em Lisboa organizada pela revista Exame, acrescentando que o caminho da «austeridade cega» vai exaltar «os extremismos» europeus.

O antigo governante disse ainda que «a Europa só tem ministro das Finanças», considerando que «mais cedo ou mais tarde [isso] não vai funcionar».

«Toda a gente na Europa se preocupa com tesouraria. A Europa só tem ministro das Finanças, só tem Ecofin [ministros das Finanças da União Europeia] e Eurogrupo [ministros das Finanças da zona euro] e, quando só há ministro das Finanças, mais cedo ou mais tarde não vai funcionar», defendeu.

Álvaro Santos Pereira começou a sua intervenção por referir «as vantagens» de já não estar no Governo, dizendo que podia «falar abertamente» sobre o que pensa e o que deve ser feito.

O economista elogiou os sinais positivos de recuperação que começam a surgir e defendeu que «há reformas que já estão feitas» e das quais os futuros governos vão beneficiar.

Sublinhando que «o país faliu em 2011», Santos Pereira destacou ainda que os principais fatores de risco para as finanças públicas a longo prazo são a quebra da natalidade, o aumento da emigração e o aumento do desemprego.

O antigo ministro da Economia do Governo PSD/CDS defendeu também um papel mais ativo do Banco Central Europeu, considerando que «a união monetária não está a funcionar».

«Dizem que as regras têm de ser iguais para todos por razões de concorrência [mas] onde é que está a concorrência aqui? A união monetária é igual para todos mas é mais igual para uns do que para outros e é mais igual para umas empresas do que para outras», criticou.