Os sindicatos representativos dos trabalhadores da Altice/PT informaram hoje ter tido garantias, por parte dos responsáveis da empresa, de que as transferências de funcionários para outras empresas, que têm gerado polémica, “estão suspensas para reanálise”.

Fomos informados pelos fundadores da Altice [que comprou a PT/MEO há dois anos] que as novas transmissões estão suspensas para reanálise e que será intensificado o diálogo através da nova CEO [presidente executiva], engenheira Cláudia Goya, para encontrar soluções consensuais”, indicam as estruturas (sindicatos e comissão de trabalhadores) em comunicado.

A informação foi obtida numa reunião realizada na terça-feira à noite com os fundadores e acionistas maioritários da Altice, Patrick Drahi e Armando Pereira, e a presidente executiva da Meo, Cláudia Goya, que decorreu numa sala da Altice Arena (local onde, horas antes, houve uma conferência de imprensa).

Ao todo, cerca de 155 trabalhadores foram transferidos para outras empresas fora do universo da PT/MEO, no âmbito da figura jurídica de transmissão de estabelecimento, a qual garante que estes colaboradores mantêm por 12 meses as regalias que tinham.

Atualmente estão a ser discutidas pelo parlamento na especialidade alterações ao Código do Trabalho na transmissão de estabelecimento.

Na reunião com os dirigentes da Altice foi também dito que “a empresa está em transformação de operador de telecomunicações para uma empresa de telecomunicações, multimédia e conteúdos [devido à compra do grupo de comunicação social Media Capital] e que, por isso, necessitavam de trabalhadores com capacidades e competências para garantir a mudança”, acrescentam as estruturas.

Notando que Armando Pereira se comprometeu com uma nova reunião “antes do Natal”, os representantes dos trabalhadores sublinham que “o processo de luta em curso só deixará de existir quando houver uma pacificação efetiva das relações laborais e isso só será possível se as reivindicações acima transcritas forem globalmente conseguidas”.

Nos últimos meses, a empresa tem sido alvo de protestos por motivos laborais, razão pela qual “o clima social” é de “grande turbulência e conflitualidade”, assinalam.

Insistiram, por isso, “na pacificação das relações laborais através da manutenção de um modelo social justo, equilibrado e motivador que respeite o passado, honre o presente e defenda o futuro”, referem na nota.

As estruturas representativas aproveitaram ainda a reunião para reafirmar o seu “descontentamento sobre a situação existente na PT Portugal e já denunciada pela Autoridade para as Condições do Trabalho”, exigindo que a Altice “respeite a lei e os direitos dos trabalhadores” e “resgate os trabalhadores transmitidos pondo fim” a novas situações.