O Bloco de Esquerda defende que o Estado português tem condições para travar a venda da PT à Altice, se aliar os votos do Novo Banco, do fundo de recapitalização da Segurança Social e de alguns pequenos acionistas, na assembleia-geral da próxima quinta-feira.
 
A proposta foi revelada pela coordenadora do BE, Catarina Martins, durante o debate quinzenal no Parlamento, tendo obtido uma rejeição imediata do primeiro-ministro.
 
Segundo Catarina Martins, as «voltas do destino» permitem que o Estado tenha «novamente a oportunidade» de se colocar como acionista na assembleia-geral da PT, tendo mesmo uma «voz forte», com um cálculo de 30% dos votos.
 

«Aliando o voto do Novo Banco, mais o voto do fundo de recapitalização da Segurança Social e o dos pequenos acionistas com interesse em parar venda à Altice, é possível parar esta venda».

 
Passos Coelho, no entanto, não vê nem quer nenhuma oportunidade de travar a venda da PT.
 

«Lamento que não compreenda a posição do Governo. Nós não somos donos do Novo Banco. O Estado não é seu acionista, não nomeia a sua administração». 

 
De acordo com o primeiro-ministro, o entendimento do Governo, mesmo no caso da Caixa-Geral de Depósitos, é «nunca» dar instruções deste género para «não misturar os interesses».
 
«O Governo não irá interferir no âmbito de um negócio privado», concluiu.
 
A deputada bloquista ainda insistiu, defendendo que «a administração tem de obedecer ao acionista» e que «o acionista é quem mete dinheiro», por isso, é o Estado, mas Passos Coelho não voltou a falar no assunto.

Antes, durante o mesmo debate quinzenal, Passos Coelho prometeu que os futuros compradores da TAP estão obrigados a respeitar os acordos de empresa, rejeitando o cenário de despedimentos.
 
O primeiro-ministro admitiu também suscitar a revisão do acordo com os Estados Unidos devido à redução da presença militar na Base das Lajes.

Durante a intervenção do PS, o primeiro-ministro foi acusado de estar «isolado», mas assegurou que não se preocupa com isso, «desde que seja para defender o interesse nacional».
 
Os partidos da oposição também quiseram responsabilizar o Governo pela situação nas urgências dos hospitais públicos, mas Passos Coelho não acredita que estes problemas sejam um reflexo das suas políticas.

O debate terminou com uma série de votações, das quais se destaca o chumbo da reposição dos feriados.