O número de novos alojamentos locais registados desde novembro de 2014, quando a nova lei entrou em vigor, mais do que duplicou, atingindo os 11.215, revelou esta quarta-feira a Associação do Alojamento Local em Portugal (ALEP).

O número representa uma média de 34 novos alojamentos locais registados a cada dia.De acordo com a ALEP, antes da nova lei estavam já registados 9.729.

Segundo os dados, com base em números oficiais, há um total de 20.944 alojamentos disponíveis registados, que pertencem a 12.424 titulares, 92% dos quais têm apenas uma ou duas propriedades.

Por outro lado, mais de dois mil registos foram cancelados desde novembro de 2014, “mas não se sabe porquê”, disse Eduardo Miranda, presidente da ALEP.

O responsável destacou que os registos estão a crescer sobretudo em Lisboa e no Porto, apesar de o Algarve ter 54% dos alojamentos deste tipo.

Lisboa tem 3.100 alojamentos registados, mas no ‘ranking’ das 10 cidades com mais alojamento local, oito são algarvias.

“Este é um mercado que está a crescer no turismo. Quem não se aperceber disso, está a olhar para os números errados”, afirmou, realçando que os hóspedes são sobretudo as famílias alargadas, para quem arrendar um apartamento fica mais barato, ou os grupos de viajantes que querem cada vez mais experiências locais e contacto com as pessoas.

Segundo a ALEP, a maioria (84%) destes proprietários é particular e 14% são empresas.

“É um mercado altamente fragmentado, de microempresários, a maior parte dos quais está a trabalhar para gerir o seu próprio imóvel”, afirmou, acrescentando que nos últimos anos despertou esta “economia partilhada” a partir do ambiente de crise que “transformou imóveis quase sem uso em casas-fora-de-casa para os novos viajantes”.

Entre os 92% dos pequenos proprietários, destacam-se os que estão a rentabilizar as segundas habitações, as residências de emigrantes que, quando vão para fora, querem manter a casa e, se possível, ainda ter um rendimento, e “o tradicional quarto para arrendar”, embora neste último caso, de acordo com o responsável, a “legislação precise de ser trabalhada”.

Nos 8% de proprietários com três ou mais unidades, 6,7% (838 proprietários) exploram entre três a nove unidades, 0,8% (98 proprietários) exploram entre 10 a 20 unidades e apenas 0,2% (71) dos proprietários exploram mais de 20 unidades.

Os franceses são os estrangeiros que mais investem em Portugal, destacando-se neste grupo “uma segunda geração de portugueses, filhos de emigrantes, sobretudo pequenos investidores”.

“O grupo do Golden Visa, sobretudo chineses, russos, brasileiros, representam uma fatia pequena de investidores”, salientou.

A ALEP foi constituída por 50 proprietários de alojamento local e foi oficialmente constituída em abril de 2015, mas espera atualmente homologação dos estatutos.

Um dos objetivos da associação é ser a voz do alojamento local e apoiar a legalização deste tipo de alojamento.

Para isso vão realizar sessões de esclarecimento abertas, ainda sem datas, no Porto, Lisboa, Faro, Portimão, Albufeira.

De novembro a março de 2016 pretendem promover uma campanha para apoiar a legalização de alojamentos.

“Nós somos os primeiros a estarem interessados em estarmos legalizados”, disse, salientando que “um operador ilegal poupa entre 4 a 5% de IRS e assume um risco elevado”.